segunda-feira, 19 de maio de 2014

Estamos na mesma



Sócrates cortou salários aos funcionários públicos, Passos e Portas cortaram salários aos funcionários públicos. A título excepcional e transitório, é bom recordá-lo. Passos fez voar a excepcionalidade e a transitoriedade, tornando-os permanentes e definitivos. Emendou a mão depois, insinuou uma devolução gradual do todo que foi cortado, mas O Tribunal Constitucional haverá tomado boa nota da intenção anunciada. E agora o PS de Seguro diz que apenas acabará com os cortes salariais que eram excepcionais e transitórios “se a economia deixar”. O eleitorado socialista que tome também boa nota. Estamos na mesma. Na mesma pelo critério da desonestidade política: António José Seguro e quadrilha fizeram um enorme chiqueiral quando Passos Coelho admitiu que os cortes salariais que até aí vendeu como excepcionais e transitórios passavam a permanentes e definitivos, apontando ao Governo a desonestidade que agora se apontam a si próprios antes mesmo de chegarem ao poder. Mas estamos na mesma também no plano da condução da política económica. Para estes “socialistas”, que denotam não ter qualquer pejo em ignorar a tal Constituição da República Portuguesa que um Governo de coligação com o PSD pode perfeitamente moldar à visão de país desejavelmente empobrecido que partilham, é a economia que determina os salários, não os salários que determinam a economia. O crescimento económico que aconteceu imediatamente após a devolução do subsídio de férias a que o Governo foi obrigado pelo TC  em Dezembro passado há-de ter sido obra do acaso. Ou então terá sido um – como eles dizem – “crescimento artificial” que nada deve à virtude exportadora que se esfuma sempre que a refinaria de Sines faz uma pausa para café, não sei. Eles é que sabem os planos que têm na manga para esta porcaria ficar cada vez mais na mesma.
 


5 comentários:

Anónimo disse...

com quem então Seguro e a quadrilha?

Está identificada a "reflexão".
Do mesmo sítio que reflecte no que isto deu, com estes maniqueístas de meia-tijela.

Volto quando isto for um sítio de gente séria

Filipe Tourais disse...

Observo que a única coisa no post que lhe merece críticas é a expressão que indica. Pois é. O resto não há como rebatê-lo.

Fenix disse...

O PS e o PSD são as duas faces da mesma moeda, e só não vê, quem tem uma relação partidária doentia, tal como um adepto de futebol. Eu só espero que a esquerda se deixe ela também de clubismos e se una no essencial para derrotar esta moeda e a sua estafada alternância, de que já estou farta!

André disse...

O seu post começa logo com uma mentira: Sócrates nunca cortou salários nem pensões. Quanto às diferenças entre o PS e PSD, só um cego ou um sectário é que não as vê.

Filipe Tourais disse...

Informe-se melhor, André. Sócrates não apenas cortou salários em 2010, como também desmantelou as carreiras da função pública, acabando com progressões e espaçando promoções, como congelou prémios, congelou as promoções que espaçou anteriormente, olhe, até decretou que em Portugal passava a anoitecer mais tarde para surrar no trabalho extraordinário. Isto apenas no público, que no privado também fez muitas e boas, como pode ler num dos posts anteriores. Documente-se antes de acusar os outros.