terça-feira, 27 de maio de 2014

Eles "andem" aí


Na ressaca das Europeias que fizeram o centrão abanar, o país ainda digere a surpresa do fenómeno Marinho Pinto e da eleição  de dois deputados pelo MPT. Como foi possível, se os telejornais ainda lhe deram menos cobertura mediática do que a que deram a CDU e Bloco? A resposta passa pela caracterização do eleitor populista, que “sabe” de ouvir dizer, que prefere programas de entretenimento  ao entretenimento oferecido pelos telejornais e se derrete quando ouve repetir com voz bem grossa de uma boca a abarrotar de justiça aquelas “verdades” cheias de moralidade que não importa se o são ou não porque “toda a gente sabe” que são. Marinho Pinto há muito que se vinha moldando ao Sebastião desejado.

No vídeo, algumas intervenções nos tempos de antena desses programas populares. A D. Mariazinha encantou-se ao ouvir repetir o que ela própria há muito dizia, que “os políticos e os partidos são todos iguais e que por isso o voto dela é que eles não levam”. O Sr. Pimpão identificou-se   ao ouvir repetir a confirmação do que ele próprio há muito defendia, que “eles são todos uns corruptos e que a única forma de os punir é não votando neles”. A D. Joaquina e o Sr. Rabuja nunca ganharam mais do que 600 euros mas, de tanto ouvirem dizer, convenceram-se que viveram a vida toda acima das suas possibilidades: aliviaram-se quando Marinho Pinto lhes confirmou o pecado e os reconfortou isentando-os de qualquer culpa. A D. Severa, que não acha nada natural dois gatos machos adoptarem um periquito, maravilhou-se quando ouviu Marinho Pinto insurgir-se contra a co-adopção por casais do mesmo sexo.

A fórmula não tem nada de novo: não contrariar ideias feitas, falar ao paladar, rentabilizar a ignorância, capitalizar o descontentamento. A porta já estava aberta. Com uma abstenção acima de 66%não foi, não é nada difícil entrar. Marinho foi só o primeiro. E eles andam aí. Eles "andem" aí.

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