terça-feira, 13 de maio de 2014

Cortar, cortar, cortar... e swapar à doida


Um ano depois da polémica dos swaps ter estalado em Portugal e da frase com que Cavaco Silva a arrumou "o Primeiro-ministro deu-me a garantia absoluta de que sobre a doutora Maria Luís Albuquerque não pesa qualquer coisa menos correcta: foi uma garantia absoluta que recebi do senhor primeiro-ministro", como sempre, o caso arrefeceu para depois cair no esquecimento. Mas há uma operação subscrita pela Metro do Porto que faz as delícias da imprensa internacional. A Risk, uma revista sediada em Londres especializada em assuntos financeiros, publicou um artigo de fundo onde o swap da empresa portuguesa é considerado candidato a "pior operação de todos os tempos". Para aqueles que admitem a possibilidade do elemento estupidez em transacções milionárias em que é sempre o Estado a perder, a agência de notícias Bloomberg chama-lhe uma opção "obscura e maravilhosamente estúpida". Seja lá o que foi este despesismo criminoso sem quaisquer contrapartidas para os contribuintes que o irão pagar, e os responsáveis continuam a salvo de quaisquer consequências, o que fica é esta “estupidez obscura” na tal “imagem de Portugal lá fora” que o próprio Governo diz ser fundamental para reabilitar a confiança dos mercados no Estado português. Para consumo interno, mantém-se aquela do Estado que vivia acima das suas possibilidades e se endividou à doida para oferecer aos cidadãos o que não podia oferecer e pagar pensões de reforma e salários a funcionários públicos incompatíveis com a moral e os bons costumes.


Vagamente relacionado: O Estado tem vindo a perder postos de trabalho nos últimos anos, mas os contratos de prestações de serviços aumentaram quase 90% entre 2012 e 2013. Os funcionários públicos que saem estão a ser substituídos por precários a recibo verde. As formas mais precárias de trabalho -- contratos de tarefa e avenças -- mais do duplicaram em 2013 face ao ano precedente. Haverá agora 24.465 situações desse tipo contra 10.123 casos em 2012. O fenómeno mais do que triplicou no ministério da Segurança Social.

1 comentário:

fb disse...

Um ano depois da polémica dos swaps ter estalado em Portugal e da frase com que Cavaco Silva a arrumou "o Primeiro-ministro deu-me a garantia absoluta de que sobre a doutora Maria Luís Albuquerque não pesa qualquer coisa menos correcta: foi uma garantia absoluta que recebi do senhor primeiro-ministro", como sempre, o caso arrefeceu para depois cair no esquecimento. Mas há uma operação subscrita pela Metro do Porto que faz as delícias da imprensa internacional. A Risk, uma revista sediada em Londres especializada em assuntos financeiros, publicou um artigo de fundo onde o swap da empresa portuguesa é considerado candidato a "pior operação de todos os tempos". Para aqueles que admitem a possibilidade do elemento estupidez em transacções milionárias em que é sempre o Estado a perder, a agência de notícias Bloomberg chama-lhe uma opção "obscura e maravilhosamente estúpida". Seja lá o que foi este despesismo criminoso sem quaisquer contrapartidas para os contribuintes que o irão pagar, e os responsáveis continuam a salvo de quaisquer consequências, o que fica é esta “estupidez obscura” na tal “imagem de Portugal lá fora” que o próprio Governo diz ser fundamental para reabilitar a confiança dos mercados no Estado português. Somos um filão à mercê de habilidosos bem relacionados.