quarta-feira, 7 de maio de 2014

Boas ideias em mês de eleições


Nuno Crato e o inglês obrigatório no primeiro ciclo. Em condições normais, sem os cortes que desviaram também da Educação os impostos que passaram a servir para pagar os juros astronómicos de uma dívida que os três de sempre não querem renegociar, este upgrade do enriquecimento curricular de carácter facultativo que Crato herdou da governação  Sócrates seria uma excelente ideia. A medida porventura até poderia ser financiada com os recursos previstos naquela passagem do memorando onde ficou acordada uma redução progressiva do financiamento público a colégios privados, mas o Governo do rigor e das reformas estruturais, pelo contrário, fez questão de ficar aquém da troika nesse capítulo e aumentou esse financiamento, que desviou de todas as escolas onde a qualidade pedagógica se ressente do dinheiro que falta para pagar condições mínimas de funcionamento. Há problemas gravíssimos que os nossos governantes continuam a poder dar-se ao luxo de ignorar. em mês de eleições, Nuno Crato lembrou-se de tirar da cartola um coelho que quer ver a falar um inglês obrigatório que desde o início se desobriga a abranger todas as escolas. Desejavelmente, a escola é aquele espaço onde as nossas crianças aprendem a ser bons cidadãos e, precisamente com essa finalidade, existem actividades extra-curriculares para que os miúdos aprendam a ser gente. Seria extremamente pedagógico, quer para as crianças, quer sobretudo para o Ministro, que numa destas actividades numa das mais que muitas escolas onde falta de tudo um pouco, professores e alunos se empenhassem na composição de mensagens a dirigir ao Ministro depois de devidamente traduzidas para inglês, tais como “tiritamos de frio todo o Inverno”, “ falta dinheiro até para uma simples fotocópia” ou “é uma vergonha que ponham desempregados a receber uma ninharia a ocuparem os lugares dos auxiliares que deveriam contratar com direito a salário por inteiro, que preferem condenar a desempregos sem direito a qualquer protecção social”. Seria de Escola e seria de professor lançar as sementes para que os nossos homens e as nossas mulheres de amanhã aprendessem desde pequeninos a reagir energicamente sempre que um governante se atreva a brincar com as suas vidas. A escola e os professores de ontem não o fizeram e hoje pagamos um preço insuportável pelo défice de cidadania que produziu Cratos, Barrosos, Coelhos, Portas, Cavacos e toda a espécie de bandidos e impostores que jamais singrariam numa sociedade que pudesse contar com a Escola pública para formar cidadãos em regime obrigatório.








1 comentário:

Anónimo disse...

Um jornal anunciava hoje que o inglês seria apenas em algumas escolas.
Como de costume, as declarações deste governo revelam-se muito distantes da realide.