domingo, 6 de abril de 2014

"Que se lixem as eleições": dois coelhos de uma só cajadada


"Que se lixem as eleições", dizia Passos Coelho a mais de dois anos das europeias. A menos de dois meses das mesmas eleições para o Parlamento Europeu, o mesmo Passos Coelho é todo ele abertura para actualizar o salário mínimo que herdou de José Sócrates congelado sobre o acordo de concertação social onde, quatro anos antes, Governo e parceiros sociais haviam assinado o aumento para 500 euros em 1 de Janeiro de 2011. A frase agora é "digo hoje perante o país que o Governo está disponível para aprofundar o esforço de concertação (...), de modo a trazer para cima da mesa a discussão da melhoria do salário mínimo nacional e a revisão do que tem a ver com as condições da negociação colectiva", isto é, a contratação colectiva, que também Sócrates feriu de morte há 9 anos ao incluir uma cláusula de caducidade de 10 anos em todos os acordos em que entidade patronal e representantes dos trabalhadores não cheguem a acordo para a sua renovação, será a moeda de troca de mais uma negociação com um desfecho hoje tão garantidamente mau para os trabalhadores por Carlos Silva como todos os que João Proença garantiu no tempo do outro senhor. Passos Coelho sabe que pode continuar a contar com a UGT para a sua dupla vitória: trocar o trunfo eleitoral de 10 ou 15 euros de actualização do salário mínimo, o contrário de "que se lixem as eleições",  pela machadada final na contratação colectiva de mais um "que se lixem os trabalhadores". Como todos os anteriores, voltará a não ser nada de tão grave assim, como denotam os mais de 60% de abstenção e os mais de 80% de intenções de voto nas europeias que todas as sondagens projectam para os três partidos do arco deste empobrecimento. O arco tem folga para continuar.

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