sexta-feira, 11 de abril de 2014

O povo é quem mais ordena




Desde 2002, foram mais de 6500 as antigas escolas primárias que deixaram de funcionar. A reorganização arrancou pela mão de David Justino, no executivo liderado por Durão Barroso (PSD-CDS) e afectou principalmente as regiões norte e do interior do país. No primeiro governo de José Sócrates, com Maria de Lurdes Rodrigues, foram fechadas mais 2500, ao passo que com Isabel Alçada encerraram 700 escolas. Nos primeiros dois anos de mandato, o ministério de Nuno Crato fechou mais de 500 escolas. Fez um intervalo de um ano lectivo, mas os encerramentos de escolas voltam em força no ano que vem. Escolas frequentadas por menos de 21 alunos, independentemente de terem ou não colégios com contratos de associação financiados pelo Estado nas vizinhanças a roubarem-lhes alunos, serão desactivadas. O Governo continua a desviar da Escola pública recursos à margem da lei para financiar escolas privadas desnecessárias. O Governo não tem um plano de incentivo à natalidade. O Governo não tem uma estratégia de combate à desertificação do interior. Mas ao povo o que o povo quer. É precisamente neste interior desertificado pelas suas políticas que PSD, CDS e PS, sobretudo os dois primeiros, se é que actualmente existe alguma diferença entre os três, têm uma dimensão eleitoral mais expressiva. À imagem do país, o interior desertifica-se muito por vontade própria. A paz, o pão, Habitação, Saúde, Educação, o passar dos anos tornou tudo indiferente.


Vagamente relacionado: Algumas das cirurgias que estavam agendadas nesta sexta-feira no Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa foram canceladas por falta de batas esterilizadas para os médicos. A administração garante que o problema já foi resolvido e que afectou – dizem eles – "apenas" três intervenções.

Ainda mais vagamente: O salário mínimo vale hoje em termos reais menos do que valia em 1974, ano em que foi fixado em 3.300 escudos, o equivalente a 534,75 euros a preços actuais, mais 50 euros do que os 485 que vigoram desde 2011. Os ganhos de produtividade associados às inovações tecnológicas que ocorreram nos últimos 40 anos – computadores, internet, correio electrónico, comunicações móveis, etc. –foram mais que integralmentedesviados das actualizações salariais que não ocorreram. Os serviços públicos e as pensões de reforma são financiados por impostos e descontos que incidem sobre os salários.    

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