terça-feira, 1 de abril de 2014

Eles estão com medo

Inequivocamente, existe um consenso alargadíssimo, maior ainda do que se supunha, sobre a necessidade imperiosa de reestruturar a nossa dívida como condição necessária para o crescimento e o emprego, também eles condições necessárias para tornar a mesma dívida pagável. No momento em que escrevo estas linhas, o manifesto tornado petição pela reestruturação da dívida já ultrapassou largamente as 26 mil assinaturas. E nos tais mercados que iriam ser impiedosos, nada. Os juros continuam a cair em todos os prazos. As únicas alterações apenas são visíveis no Governo dos credores, na maioria dos credores, na oposiçãozinha dos credores e nos lava-cérebros porta-vozes dos credores. Todos eles abanam com a ideia de poderem vir a ficar sem a ferramenta de coacção que lhes tem permitido imporem a sua agenda de reconfiguração social de transferência e concentração de riqueza numa avenida florida de submissão e quase deserta de reacções. Espelho Desta inquietação crescente, ontem, na RTP, António Saraiva disse que se fosse hoje já não assinaria o manifesto. Não por ter mudado de opinião. Menos ainda porque a sua assinatura lhe fez ouvir poucas e boas dos Mello e van Zeller que o precederam na presidência da CIP. Diz o nosso Saraiva que por não lhe agradar constatar as proporções que o manifesto tomou. Eles sabem que a exigência de reestruturação da dívida é um gigante que já não controlam. Sabem que é um gigante de esperança que continua a crescer a um ritmo alucinante. E não sabem a dimensão que o gigante poderá atingir. Finalmente, começam a conseguir restaurar a confiança que a sua austeridade também engoliu. Estão com medo.

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