quarta-feira, 2 de abril de 2014

Almofadas: umas comem, outras nem por isso


João Moreira Rato foi hoje questionado na comissão de orçamento e finanças da Assembleia da República sobre os encargos que o Estado está a suportar por ter realizado emissões de dívida consideravelmente mais elevadas do que os valores que precisa de utilizar no imediato, criando aquilo a que o Governo e a sua imprensa baptizaram de “almofada financeira”, um excedente de liquidez que alegadamente serve para tranquilizar “investidores” (especuladores) que tencionem comprar títulos de dívida a Portugal. O responsável do IGCP estimou que essa almofada atingiu em 2013 um valor próximo de 15 mil milhões de euros a um juro médio de 2,9%. Ou seja, o custo anual assumido foi de 435 milhões de euros, um valor que compara com os 429 milhões do total de subsídios de desemprego pagos durante 2013 - mais de metade nada recebe e podia receber - ou com a receita prevista de 388 milhões resultante do aumento da contribuição para a ADSE em 2014 somado com o agravamento da contribuição que não é contribuição, extraordinária sem ser extraordinária e de solidariedade voltamos a perceber com quem. O empobrecimento de uns é a tranquilidade de outros. E o “sucesso” do “programa de ajuda económica e financeira”, o extraordinário êxito que ecoa nos campanários de igrejas e capelinhas de todo o mundo para festejar o regresso de Portugal aos mercados são estes 435 milhões de euros, noves fora os mais de dois milhões que vivem na pobreza em Portugal, dos quais mais de  um milhão não consegue fazer sequer uma refeição de carne ou de peixe de dois em dois dias. .Propaganda cara, esta saída tudo menos limpa. E esta brincadeira é para continuar


Vagamente relacionado: Os swaps comercializados pelo Santander junto de quatro empresas públicas de transportes acumulam perdas potenciais superiores a 1200 milhões de euros até ao final de Fevereiro, revelou nesta quarta-feira o mesmo presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) na mesma audição.
Ainda mais vagamente: Os benefícios fiscais concedidos pelo Estado em sede de IRS — como as deduções à colecta de despesas com saúde, educação e habitação — têm vindo a encolher de ano para ano desde a chegada da troika. Com a redução dos limites nas deduções, a despesa fiscal do Estado reduziu-se em mil milhões de euros entre 2011 e 2013.

1 comentário:

fb disse...

João Moreira Rato foi hoje questionado na comissão de orçamento e finanças da Assembleia da República sobre os encargos que o Estado está a suportar por ter realizado emissões de dívida consideravelmente mais elevadas do que os valores que precisa de utilizar no imediato, criando aquilo a que o Governo e a sua imprensa baptizou de “almofada financeira”, um excedente de liquidez que alegadamente serve para tranquilizar “investidores” (especuladores) que tencionem comprar títulos de dívida a Portugal. O responsável do IGCP estimou que essa almofada atingiu em 2013 um valor próximo de 15 mil milhões de euros a um juro médio de 2,9%. Isto é, o custo anual assumido foi de 435 milhões de euros, um valor que compara com os 429 milhões do total de subsídios de desemprego pagos durante 2013 ou com a receita prevista de 388 milhões resultante do aumento da contribuição para a ADSE em 2014 somado com o agravamento da contribuição que não é contribuição, extraordinária sem ser extraordinária e de solidariedade voltamos a perceber com quem. O empobrecimento de uns é a tranquilidade de outros. E o “sucesso” do “programa de ajuda económica e financeira”, o extraordinário êxito que ecoa nos campanários de igrejas e capelinhas de todo o mundo para festejar o regresso de Portugal aos mercados são estes 435 milhões de euros, noves fora os mais de dois milhões que vivem na pobreza em Portugal, dos quais mais de um milhão não consegue fazer sequer uma refeição de carne ou de peixe de dois em dois dias. .Propaganda cara, esta saída tudo menos limpa.