quinta-feira, 3 de abril de 2014

A tia gosta tanto do facebookcomo de pagar salários



A presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, Isabel Jonet, entende que as redes sociais são “um dos maiores inimigos das pessoas desempregadas. Nas redes sociais, segundo disse esta activista do trabalho sem salário à Rádio Renascença, os desempregados caem no engano de pensar que estão a trabalhar, “por estarem agarrados ao computador”. Isabel Jonet criticou quem não tem trabalho e fica “dias e dias inteiros agarrado ao Facebook, ou a jogos ou a falsos amigos que não existem”, vivendo “uma vida que é uma total ilusão”, "quando podia participar em acções de voluntariado que lhe aumentassem as 'chances' de arranjar emprego". Como é isso, minha senhora? Quem está desempregado e faz voluntariado não está a aumentar as suas probabilidades de conseguir um emprego. Pelo contrário, está a destruí-las completamente, e não só as suas, as de todos os que estão na mesma situação aos quais nunca nenhuma tia avarenta dará emprego enquanto souber que há um inconsciente que se disponha a trabalhar à borla para si. Está a destruir os empregos que o consumo proporcionado por salários que não são recebidos nunca irão criar. Está a contribuir para que o trabalho seja cada vez mais desvalorizado e os salários cada vez menores. Finalmente, ao abdicar de receber salário, está também a pôr nas mãos da tia avarenta os descontos que tanta generosidade desvia dos serviços públicos e da segurança social. A mesma Segurança  social que com salários dignos e descontos nessa proporção tornaria desnecessárias as tias boazinhas que depois aparecem montadas no lombo suado e nos donativos dos outros a darem entrevistas onde dão palpites sobre os passatempos de quem não perdeu o direito a tê-los quando caiu no desemprego. Queres mais gente a trabalhar para a tua imagem, tiazinha? Faz como as pessoas fazem com as pessoas: paga um salário.

Imagem: "o sítio dos desenhos"

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