terça-feira, 25 de março de 2014

Sinais positivos, pois então


Portugal é um dos quatro países que mais reduziu a despesa social em 2011 e 2012, de acordo com o relatório sobre emprego e desenvolvimento social na Europa ontem divulgado pela Comissão Europeia. Olhando com algum detalhe para as estatísticas de cada país, verificamos que Portugal foi o país onde a despesa social em bens e serviços mais caiu na UE a 27 em 2011 e 2012. No período que é marcado pelo resgate financeiro e a entrada da troika, a despesa social em bens e serviços caiu 4,3% em 2011 e 5,5% em 2012. As contas do relatório mostram ainda que este tipo de despesa está a cair em Portugal desde 2006  (primeiro Governo de José Sócrates), com apenas uma interrupção, em 2009, ano em que o país, à semelhança da UE, promoveu um plano de resposta à crise financiado pelo Estado. De acordo com dados divulgados pelo INE também ontem, A taxa de risco de pobreza em Portugal aumentou para 18,7% em 2012, o valor mais alto desde 2005, quase dois milhões a viver com 400 ou menos euros por mês. A taxa de intensidade da pobreza aumentou 3,3 pontos percentuais entre 2011 e 2012, de 24,1% para 27,3%. Segundo dados relativos já a 2013, 25,5% dos residentes viviam em privação material e 10,9% em privação material severa.

E, hoje, na abertura do Congresso da Distribuição Moderna da APED – Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição, entre promessas a cumprir num “pós-troika” em que a troika vai continuar por cá , Pedro Passos Coelho disse que apesar da escassez de recursos, nos últimos dois anos houve um “aumento real dos rendimentos mais baixos” e o Governo “não ignorou” os mais desfavorecidos, enumerando o programa de emergência social, os aumentos “todos os anos” das pensões mínimas sociais e rurais, os programas de concessão de recursos às instituições sociais que estão no terreno, as políticas de emprego como a Garantia Jovem. Sinais positivos, pois então. Se exceptuarmos a realidade, o país nunca mais vai parar de melhorar. Diante de tão entusiasmado triunfalismo, qualquer mortal fica na dúvida se foi mesmo o Governo deste cavalheiro aquele que encurtou a duração e reduziu o montante aos subsídios de desemprego, burocratizou e quase criminalizou o Rendimento Social de Inserção e até se lembrou de tributar subsídios de doença. Mas foi mesmo. E agora quer substituir o que eram direitos por esmolas com cheiro a sopa dos pobres.


Para acreditar com o mesmo optimismo: O líder da bancada do PSD, Luís Montenegro, garantiu esta terça-feira que não haverá mais cortes nos salários e nas pensões. "Quero deixar aqui de uma forma clara. Vamos todos jogar limpo. Não é verdade que venham aí mais cortes de salários e pensões, mais cortes de rendimentos", afirmou no encerramento das jornadas parlamentares do PSD, em Viseu.

1 comentário:

Anónimo disse...

Portugal é um dos quatro países que mais reduziu a despesa social em 2011 e 2012, de acordo com o relatório sobre emprego e desenvolvimento social na Europa ontem divulgado pela Comissão Europeia. Olhando com detalhe para as estatísticas para cada país verificamos que Portugal foi o país onde a despesa social em bens e serviços mais caiu na UE a 27 em 2011 e 2012. No período que é marcado pelo resgate financeiro e a entrada da troika, a despesa social em bens e serviços caiu 4,3% em 2011 e 5,5% em 2012. As contas do relatório mostram ainda que este tipo de despesa está a cair em Portugal desde 2006 (primeiro Governo de José Sócrates), com apenas uma interrupção, em 2009, ano em que o país, à semelhança da UE, promoveu um plano de resposta à crise financiado pelo Estado.