quinta-feira, 13 de março de 2014

Poing!


Algumas horas depois de dar luz verde ao confisco de pensões de reforma que o Governo baptizou de “Contribuição Extraordinária de Solidariedade”, Cavaco Silva vetou o aumento dos descontos para a ADSE e para os subsistemas de saúde dos militares e das forças de segurança, informou nesta quinta-feira a Presidência da República num comunicado divulgado no seu site. O Presidente questiona o contributo do aumento dos descontos para a auto-sustentabilidade dos sistemas e alerta que isso visa, sobretudo, consolidar as contas públicas. Tendo por base a nota informativa enviada pelo Governo, refere ainda o comunicado de Belém, os 3,5% permitirão arrecadar uma receita que excede significativamente a despesa prevista no orçamento da ADSE. "Verifica-se até que, mesmo que o aumento pretendido fosse apenas de metade, ou seja, de 0,5 pontos percentuais, ainda assim haveria um saldo de gerência positivo não despiciendo", lê-se na nota publicada nesta quinta-feira.

Da minha parte, que concordo inteiramente com as justificações apresentadas, a ADSE dá lucro, à primeira vista, este rasgo raríssimo de lucidez tem cara de ser apenas mais uma da longa série de incoerências de Cavaco Silva. Mas fazendo um esforço para lhe encontrar alguma lógica, este veto encaixa na perfeição no seguimento do alinhamento do folhetim iniciado com os “roteiros” que publicou no Sábado passado e que continuou durante a semana com a longa lista de Conselheiros de Estado da sua quota e de homens da sua inteira confiança que assinaram o manifesto da reestruturação da dívida, sinais que convidam a cogitar se  Cavaco se terá finalmente desencantado com o Governo que só a si deslumbrava e, por essa razão, terá decidido começar a cozinhar o Coelho em lume brando. OK, é melhor não fantasiar. Também pode perfeitamente ter sido apenas a sua Maria que se anda a esquecer de lhe dar os comprimidos para a cabeça a tempo e horas, é verdade que sim. Se assim for, os beneficiários da ADSE ficam a dever uma à Maria. O comportamento do nosso Aníbal melhora significativamente quando não se encharca em drogas. Toma lá Pedrinho, descalça lá esta.

3 comentários:

Anónimo disse...

Não será porque a Maria desconta para a ADSE?

Filipe Tourais disse...

Conforme carpiu o digníssimo esposo, a Maria tem um saláriode 800 euros. 1% de 800 euros vezes 14 meses dá 112 euros. Seria demasiado mau que uma decisão destas fosse tomada por 112 euros. É ainda pior que haja vistas tão curtas que elejam esses 112 euros como a sua explicação deste episódio.

Anónimo disse...

Estava a ser irónico em relação aos descontos da Maria.
Sinceramente, não faço ideia das razões do veto.
No entanto, pelo pouco que conheço do carácter de Cavaco não me chocaria que a razão fossem mesmo os 112 euros.
Recorde que o homem já se queixou de ter uma reforma de miséria e 112 euros por ano não são de deitar fora.
Ou pensa que ele se preocupa com os portugueses?