sexta-feira, 21 de março de 2014

Mais uma "divergência insanável"


Em entrevista à Sic-Notícias, Óscar Gaspar, conselheiro de Seguro para a economia adianta-se ao líder, que evita o tema: o PS admite ser impossível o regresso imediato aos níveis salariais e às pensões de 2011, que o Governo cortou a título excepcional. Se chegarem ao governo, os socialistas não vão voltar atrás nos cortes impostos durante os últimos três anos e a justificação é a já clássica "situação do país", ou seja, esta espécie de oposição também torna definitivos cortes que o Governo vendeu como extraordinários. Na noite anterior, Gaspar tinha sido claro quando foi questionado sobre se o PS podia prometer, uma vez vencedor das legislativas, regressar aos salários, pensões e prestações sociais de 2011: "A resposta "séria" é não. Nem os portugueses imaginariam, nem nunca ouviram do líder do PS nenhuma proposta demagógica para voltarmos a 2011, porque não é possível. As contas públicas portuguesas não o permitem." O PS também tem um Gaspar, por sinal sem grandes diferenças do original. "A situação que o país atravessa", "não é possível", "as contas do país não o permitem", tudo o que não seja austeridade é "demagógico". Para este Gaspar a pequena recuperação do PIB português registada no último trimestre de 2013 também não tem nada a ver com a recuperação salarial imposta pelo veto do Tribunal Constitucional ao roubo de subsídios de férias e de Natal aos funcionários públicos e pensionistas. Foi obra do Pai Natal, com toda a certeza, e é uma irresponsabilidade e falta de sentido de Estado dizer o contrário. Os mercados podem ouvir...


Acrescentado ao post original: a questão salarial é absolutamente central a vários níveis. É dos salários que depende o consumo, é do consumo que depende o investimento, é do investimento que dependem a criação de emprego e o crescimento económico. É também dos salários que depende a colecta de impostos em IRS e em IVA, necessária para equilibrar o saldo  orçamental e pagar o Estado social, e as contribuições para a Segurança Social, tão necessárias para evitar andar constantemente a sacrificar direitos constituídos ao longo de vidas inteiras a descontar  para conquistar o direito a velhices dignas. Para além do mais, e saltando a questão da justiça social da redistribuição da riqueza que o achatamento salarial tem concentrado, salários cada vez mais mínimos eternizam uma matriz de subdesenvolvimento que herdámos do salazarismo: os nossos empresários dificilmente apostarão em melhorar a organização das suas empresas ou investirão em novas tecnologias e na produção de novos produtos com maior valor acrescentado enquanto lhes for possível compensarem as suas ineficiências contratando mais um par de braços baratos. Negar tudo isto é negar a realidade. Onde está a demagogia? Talvez nos salários milionários que a Metro Mondego tem pago aos seus administradores ao longo da sua existência enquanto projecto que nunca saiu do papel. Óscar Gaspar foi um deles. Mas sobre a Metro Mondego podem continuar a ler aqui.

1 comentário:

fb disse...

Em entrevista à Sic-Notícias, Óscar Gaspar, conselheiro de Seguro para a economia adianta-se ao líder, que evita o tema: o PS admite ser impossível o regresso imediato aos níveis salariais e às pensões de 2011. Se chegarem ao governo, os socialistas não vão voltar atrás nos cortes impostos durante os últimos três anos e a justificação é a já clássica "situação do país". Na noite anterior, Gaspar tinha sido claro quando foi questionado sobre se o PS podia prometer, uma vez vencedor das legislativas, regressar aos salários, pensões e prestações sociais de 2011: "A resposta séria é não. Nem os portugueses imaginariam, nem nunca ouviram do líder do PS nenhuma proposta demagógica para voltarmos a 2011, porque não é possível. As contas públicas portuguesas não o permitem." O PS também tem um Gaspar, por sinal sem grandes diferenças do original. "A situação que o país atravessa", "não é possível", "as contas do país não o permitem", tudo o que não seja austeridade é "demagógico". Para este Gaspar a pequena recuperação do PIB português registada no último trimestre de 2013 também não tem nada a ver com a recuperação salarial imposta pelo veto do Tribunal Constitucional ao roubo de subsídios de férias e de Natal aos funcionários públicos e pensionistas. Foi obra do Pai Natal, com toda a certeza, e é uma irresponsabilidade e falta de sentido de Estado dizer o contrário. Os mercados podem ouvir...