segunda-feira, 17 de março de 2014

O Seguro outra vez a brincar aos consensos

(dados INE, 2011-2013, em milhões de euros)



Primeiro não ia, depois acabou por ir. Pequeno grande detalhe, quando disse que não iria, António José Seguro ainda não tinha conhecimento do consenso alargadíssimo que realmente importa para o futuro do país, o manifesto dos 74 foi tornado público entre o não ir que transformou em ir sem se posicionar claramente sobre a reestruturação da nossa dívida, da qual já muito poucos duvidam dependerá o futuro do país, talvez até o seu próprio na liderança do PS. Aproveitou Passos Coelho, que insistiu até Seguro ceder. Cedesempre. E lá cedeu, com o pretexto barroco do costume. Responsabilidade, sentido de Estado e essas coisas.
À saída, e não foi uma reunião qualquer, atenção, durou três longas horas de árduas negociações, António José Seguro diz: “Há uma divergência insanável no que diz respeito à estratégia orçamental. Nós consideramos que o país deve equilibrar as contas públicas (…) o modo, o caminho, a estratégia para o equilíbrio das contas públicas é o que nos opõe. Não nos opõe hoje mas desde sempre” Mas qual modo? Qual caminho? Qual estratégia? Desde sempre e não hoje?

António José Seguro responde logo a seguir. Diz que "já existe um consenso político entre o PS e o Governo, lembrando que os socialistas votaram favoravelmente o Tratado Orçamental e deram luz verde à inscrição da regra de ouro na Lei de Enquadramento Orçamental." Bem lembrado. À bruta, luz verde à ultra-austeridade que os une desde sempre e não desde hoje. Um manda e outro quer mandar. Aqui está a "divergência insanável". E nada a ver com reestruturação da dívida. Nenhum dos dois a defende. Se Seguro não aproveitou o manifesto dos 74 para descolar de Pedro Passos Coelho, e objectivamente não o fez, definitivamente dali nunca virá nada em que valha a pena apostar.



Vagamente relacionado: Quase 80% das famílias portuguesas declararam que pagar as contas é “difícil” ou uma “luta constante”. Portugal surge assim como um dos países em que mulheres e homens “se sentem sob maior pressão” e onde mais se declara ser “difícil” ou “muito difícil” viver com o rendimento que têm. Apenas 12% dos portugueses afirmam que não têm dificuldades em fazer face às despesas”.


Ainda mais vagamente: Os benefícios fiscais concedidos pelo Estado em sede de IRS, como as deduções à colecta de despesas com saúde, educação e habitação, têm vindo a encolher de ano para ano desde a chegada da troika. Com a redução dos limites nas deduções, a despesa fiscal do Estado baixou em mil milhões de euros entre 2011 e 2013, uma redução de 27,2%.


E nada a ver com: Crianças com problemas de saúde mental sem acompanhamento. Os chamados Grupos de Apoio à Saúde Mental Infantil receberam dois prémios de boas práticas e foram apontados como exemplo a expandir a todo o país. O protocolo que lhes servia de suporte está suspenso há mais de dois meses.


(imagem daqui)

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