sábado, 15 de março de 2014

Há quem diga que o grande problema dos cipriotas também não são os piratas


"Passado um ano, os bancos continuam a ser a principal preocupação dos cipriotas", titula o Público, num artigo onde também se lê que, num país onde o desemprego nunca foi problema que ultrapassasse os 5%, a taxa de desemprego vai agora cavalgando a barreira dos 20%, com uma economia em implosão espelhada no recuo de 6% do seu PIB e com os cipriotas a arderem com o todo das poupanças de uma vida inteira que lhes foram confiscadas para tapar o buraco cavado pela delinquência banqueira, que os poderes públicos deixaram de fingir que não existia faz hoje um ano. Está-se mesmo a ver que o problema dos cipriotas são os bancos e não uma forma de exercício do poder que não hesita em sacrificá-los para manter a grande finança a salvo da nacionalização de todos os seus activos. O Grande problema das democracias desta Europa que deixou de ser dos cidadãos passa também por esta imprensa, que outrora tinha como modo de vida a informação que é pilar fundamental da Democracia, ter adoptado como estratégia mais vantajosa para si colocar-se ao lado dos piratas que na Europa hoje têm plenos poderes para roubarem os europeus até à última migalha. Mas hoje é hoje, num amanhã qualquer haverá muitas contas para saldar. A seguir a períodos prolongados de subjugação e de abusos constantes há sempre. E o colaboracionismo desta imprensa com este regime de mentira vai ficando registado. Escrever "o principal problema dos cipriotas são os bancos" será sempre diferente de "o grande problema dos governantes cipriotas são os bancos, apesar do desespero dos milhares e milhares de cipriotas que condenam à miséria". E não me venham cá com a cantiga da neutralidade, que o primeiro título tem tanto de neutro como o segundo. O primeiro traduz a escolha de quem se posiciona do lado mais forte e o ajuda na imposição da sua normalidade. O segundo, a percepção de quem recusa contribuir para que se perca de vista que a democracia existe para servir as pessoas, não os bancos.

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