sábado, 15 de março de 2014

Gostei de ler: "O rapto da Europa"







«Houve tempos em que a Europa representou a liberdade de pensamento. A capacidade de se "colocar a si própria em causa". Hoje, quando 70 cidadãos portugueses ousam pensar livremente o nosso futuro comum, eis que se levanta uma violenta barragem de ataques. Vítor Martins e Sevinate Pinto, cidadãos ilustres, foram exonerados da função de conselheiros do PR por serem subscritores do manifesto dos 70. Belém quis mostrar aos credores que o vírus da inteligência crítica não contaminara o Palácio. Poderíamos pensar que o problema está no atavismo português. Nos séculos de Inquisição. Mas eis que vozes distantes às sombras da nossa cultura se erguem, condenatórias, da ousadia dos 70. Gente zangada do FMI e da CE. Porquê esta reação contra pessoas que apenas se representam a si próprias? O Governo, a CE, o FMI temem todos aqueles que não sacrificam no altar da sua religião dos mercados. Eles são os sacerdotes desse culto, pois foram eles que transformaram os mercados, de instrumento de racionalidade económica num deus cruel, sedento de sacrifícios. Quando Portugal aceitou perder a sua soberania monetária e cambial, pensámos estar a partilhar poder para o bem comum. Afinal estávamos a aceitar algemas nos pulsos. Um banco como o BCE, que recusa financiar os Estados, é uma obscenidade. Acorrenta os povos à menoridade financeira. Obriga-os a estender as mãos, como pedintes, perante especuladores. Obriga nações inteiras a esconder o seu sofrimento, só para não zangar ou contrariar os "mercados". Os portugueses, e os outros europeus, ao olharem a cobardia transformada na nova "ética de estadista", começam a perceber que a "Europa" em que acreditaram foi raptada por um novo totalitarismo. Que teremos de derrubar, para voltarmos a ter direito à liberdade e ao futuro.» – Viriato Soromenho Marques, no DN.

1 comentário:

fb disse...

Porquê esta reação contra pessoas que apenas se representam a si próprias? O Governo, a CE, o FMI temem todos aqueles que não sacrificam no altar da sua religião dos mercados. Eles são os sacerdotes desse culto, pois foram eles que transformaram os mercados, de instrumento de racionalidade económica num deus cruel, sedento de sacrifícios. Quando Portugal aceitou perder a sua soberania monetária e cambial, pensámos estar a partilhar poder para o bem comum. Afinal estávamos a aceitar algemas nos pulsos. Um banco como o BCE, que recusa financiar os Estados, é uma obscenidade. Acorrenta os povos à menoridade financeira. Obriga-os a estender as mãos, como pedintes, perante especuladores. Obriga nações inteiras a esconder o seu sofrimento, só para não zangar ou contrariar os "mercados". Os portugueses, e os outros europeus, ao olharem a cobardia transformada na nova "ética de estadista", começam a perceber que a "Europa" em que acreditaram foi raptada por um novo totalitarismo. Que teremos de derrubar, para voltarmos a ter direito à liberdade e ao futuro.» – Viriato Soromenho Marques, no DN.