sexta-feira, 14 de março de 2014

Enrola, brinca, chumba e mais uma vergonha



O projecto do PS que propunha a co-adopção entre casais do mesmo sexo foi chumbado na especialidade nesta sexta-feira por cinco votos em parte do articulado e por quatro votos noutra parte. Como não houve nenhum artigo aprovado na especialidade, não houve votação final global. A maioria dos deputados da Assembleia da República alinhou na crueldade de negar a milhares de crianças o direito à protecção familiar pelo direito do cônjuge vivo ou sobrevivo do seu pai ou da sua mãe biológica. Graças a Deus que não há casos conhecidos de pedofilia nesses paraísos na Terra que são as instituições candidatas a acolhê-las. A nossa sociedade pode garantir que as condições oferecidas por estes orfanatos são sempre incomparavelmente melhores do que aquelas que pode oferecer uma mãe ou um pai adoptivo homossexual.


Quanto ao diploma da co-adopção, importa recordar o trajecto que percorreu. Começou por ser aprovado na generalidade. Quando estava para ser votado na especialidade, alguém se lembrou de inventar um referendo. Puseram um imbecil a propô-lo e este assim fez, com o cuidado de pejar a proposta de inconstitucionalidades. Chuta para referendo. A Assembleia aprovou a proposta, com inúmeros deputados a confessarem que a sua cobardia em desobedecer àquela disciplina de voto que lhes garante os lugares em futuras listas eleitorais é muito maior do que a consciência e a sensibilidade que a ocasião lhes proporcionou para se dizerem funcionários parlamentares exemplares. Chuta para promulgação. O Presidente da República não quis vetar o diploma do referendo. Chuta para Tribunal Constitucional. O Constitucional chumba o diploma do referendo. Regresso à casa da partida, votação na especialidade, diploma da co-adopção chumbado vários meses depois pela mesma maioria que tanto gosta de encher a boca com a palavra produtividade.


Pelo visto, também de brincar com os destinos destes pais, destas mães, destas crianças, destes cidadãos e cidadãs iguais em direitos a todos os demais, claro está, exceptuando aqueles que suas excelências se sintam no direito de lhes negar. Ainda temos deputados que se manifestam incomodados com a felicidade dos outros. Com toda a certeza serão excelentes pais e excelentes mães, ainda melhores educadores, daqueles que conseguem transmitir os valores mais nobres à geração seguinte. As melhores referências para qualquer criancinha.

1 comentário:

PorFalarNoutraCoisa disse...

Concordo com a tua opinião.
Não me preocupa se o casal homossexual ama menos a criança ou tem menos capacidade para cuidar de uma. Tenho a certeza que irá amá-la de igual forma e que se dedicará tanto ou mais como um casal hetero. A questão não é essa. A única coisa que me preocupa é o que a criança vai sofrer na escola, com as outras crianças todas a fazer pouco dela, (parece que se chama bullying agora) por ter dois pais ou duas mães. Mas aí o problema não é do casal homossexual que adoptou, é de todos os outros pais heteros que não souberam educar correctamente os seus filhos.

http://porfalarnoutracoisa.blogspot.pt/2013/06/o-maes-um-miudo-na-escola-diz-que-voces.html