quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

"Para que conste"


O relatório da décima avaliação do FMI sublinha que o potencial de crescimento da economia portuguesa continua dependente de várias reformas estruturais que têm ficado por fazer, entre elas a eliminação das rendas no sector energético. “A persistência de rendas nos sectores não transaccionáveis tem de ser resolvida definitivamente para aumentar o potencial de crescimento económico e reforçar a competitividade”, lê-se no documento divulgado esta quarta-feira. “As prioridades” nesta área devem ser “a energia e as infra-estruturas de transportes [auto-estradas]”, sectores apontados pelo FMI como “cruciais para a competitividade externa do país”. “Na ausência destas reformas, o peso do ajustamento irá cair excessivamente sobre o mercado de trabalho”, garante o FMI. Quereriam dizer “irá continuar a cair”, mas a palavra "continuar", que contornaram, levanta os seus constrangimentos. O FMI faz parte da kuadrilha (troika+1) que nos últimos anos andou - e nos próximos continuará a andar - por cá a cortar em tudo menos nas rendas. Deixam a advertência no ar, “para que conste”, conscientes de que tais rendas nunca serão beliscadas, não fizessem elas parte dos tentáculos do polvo ao qual por cá se convencionou chamar de “arco da governação”. Aliás, como o próprio FMI, tentáculo do mesmo polvo, este mais especializado em rendas em forma de juros agiotas e em reconfigurações sociais que originam rendas através da privatização de serviços públicos. O Governo diz que as suas "reformas estruturais" já estão a resultar

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