segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

No pasa nada


Os suíços aprovaram em referendo que decorreu durante este fim-de-semana a limitação à imigração originária dos países da União Europeia. A extrema-direita rejubila por toda a Europa, os eurocratas esboçam uma espécie de ameaça quanto a eventuais retaliações, sem nunca se referirem concreta e especificamente à liberdade de circulação de capitais que faz da Suíça a máquina de lavar dos proveitos de toda a espécie de negócios. E a questão está aqui, é o denominador comum entre ultras tacitamente de acordo para não a resolverem. De um lado, os ultras do europeísmo da concentração de riqueza refugiam-se atrás de uma coisa a que chamam de “crise sistémica”, daquelas que prejudicam o poder económico que representam e põem milhões e milhões de cidadãos a pagar a factura do défice democrático que os deixou sem representantes dos seus reais interesses na condução da política europeia. Do outro, os ultras do populismo e da xenofobia aproveitam-se da maior facilidade que muitos têm em apontar para o lado em vez de apontarem para cima e fornecem-lhes alvos concretos para despejarem a sua mais do que justificada insatisfação, ignorando completamente uma máquina de lavar que até lhes daria imenso jeito caso destronassem os primeiros aos comandos da central de negócios UE. Com as eleições europeias aí a estourar, nem mesmo a previsão de que a extrema-direita poderá obter mais de um terço dos mandatos consegue afrouxar a inconsciência congénita do “europeísmo convicto”que, ao ignorar a ameaça, acabará por fazer implodir o projecto europeu. Começou por ser um sonho bonito, transformaram-no num pesadelo horrível. Não há-de deixar grande saudade. Quando muito,  e não é nada pouco, deixará um crime gigantesco para julgar e punir exemplarmente de forma a que os vindouros não  repitam os erros destes anos em que o progressocorreu para tras.

2 comentários:

Anónimo disse...

O MUNDO É UMA ALDEIA MUITO PERIGOSA | O que se está a passar na Suíça é preocupante e anula aquela ideia de que todos podemos viver alegremente uns ao lado dos outros. Os suíços não querem lá toda a gente. Toda a extrema-direita europeia está em delírio. A direcção da União agregadora já disse que isso é muito feio e que ainda vão parar a um canto ostentando orelhas de burro. É claro que os políticos europeus ainda não perceberam que têm culpas no cartório. Mas adiante. Também na Rússia, a intolerância e o radicalismo troglodita não são excremento exclusivo do penico de Putin. Os russos, na sua maioria, querem a homossexualidade "curada". Por cá, uns jovens sinistros propõem referendos por tudo e por nada no sentido de gerir as vidas de minorias. Um cardeal influente que rejeita a possibilidade de podermos viver alegremente uns ao lado dos outros, apoia os trogloditas. O mundo está a ficar um sítio muito mal influenciado. E perigoso.
www.blogoperatorio.blogspot.com

Anónimo disse...

Total e completamente de acordo com o post.
Que a Portugal sai o mais rápido possível do Euro e da UE são os meus votos mais sinceros.