sábado, 15 de fevereiro de 2014

E o Pedro ainda festeja


Apesar das receitas das privatizações, irrepetíveis por já não haver quase nada para privatizar, apesar da redução de 434 milhões em juros relativamente ao previsto e apesar da valorização do euro registada em 2013 ter produzido um ganho cambial de mil milhões, a dívida pública portuguesa parece continuar numa trajectória imparável.  Atingiu 129,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no final do ano passado, segundo o último relatório sobre endividamento da UTAO (Unidade Técnica de Apoio Orçamental, do parlamento). Ontem, Passos Coelho, que tomou posse quando a dívida pública atingia os 100% do PIB, disse isto na Assembleia da República: “Eu como gestor sempre me dei bem com a avaliação de desempenho”. Não há empregos fora do universo laranja no curriculum deste menino que antes de ser Primeiro-ministro também nunca tinha sido Presidente nem de uma Junta de Freguesia. Sem agradecer ao TC tê-lo impedido de roubar novamente os subsídios de férias que produziram a variação positiva do final do ano, o rapaz anda felicíssimo a festejar o crescimento de 1,6% registado no último trimestre de 2013, apesar de nos últimos três anos,  -1,4% em 2013,  -3,2% em 2012 e -1,3% em 2011, o PIB se ter contraído 5,9%. Para além do aumento de mais de 30% da dívida pública que foi acontecendo ao longo do seu mandato, O nosso gestor já leva no curriculum o segundo e o quarto lugar no ranking dos anos em que o PIB mais se contraiu: o pior foi 1975 (-5,1%), seguido por 2012 (-3,2%), pelo recorde de Sócrates de 2009 (-2,9%) e pelo ano passado (1,4%). Produzimos muito menos riqueza, estamos muito mais pobres e muito mais endividados. E o Pedro a festejar o seu milagre económico.

Vagamente relacionado: Em 2013, as exportações portuguesas voltaram a crescer a ritmo superior às importações, reduzindo em 1,6 mil milhões de euros o défice comercial português face ao exterior. No entanto, os combustíveis foram responsáveis pela maior parte desse ajustamento. Se eles forem subtraídos aos valores de saída e entrada de bens, o saldo comercial praticamente estagna face a 2012, com uma descida de menos de 50 milhões de euros.

Ainda mais vagamente: 120 mil novos empregos, repete o Governo.  Perto de um milhão de portugueses trabalhava dez ou menos horas por semana no terceiro trimestre de 2013, um universo que disparou para o dobro de Junho para Setembro, meses em que o total de trabalhadores com empregos de uma a 10 horas semanais passou de 450 mil para 915 mil.  No 3.º trimestre foram destruídos 404 mil empregos com horários acima de 11 horas/semana e criados 465 mil postos de menos de 10 horas. É nestes empregos que reside a recuperação do mercado do trabalho que o governo tanto festejou recentemente.

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