sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

São apenas mais dois pequenos cortes


Os lobos atacam, os coelhinhos encolhem-se, prossegue o terror. Desta vez, como vimos no post anterior, os lobos até sondaram os coelhinhos para saberem onde atacar. E atacaram aí. O Governo anunciou no princípio da noite de ontem que irá compensar o ataque abortado pelo TC às pensões de reforma da CGA alargando a “ base de incidência da denominada “contribuição extraordinária de solidariedade” e aumentando mais uma vez os descontos para a ADSE aos funcionários públicos.

 

Como e Quem para parar o terror?

 

Todos aqueles mais de 40% que a sondagem revelou preferirem qualquer penalização de terceiros desde que esta não os afecte directamente ainda estarão a respirar de alívio com a notícia de que nem o IVA nem os combustíveis irão aumentar: o Governo fez-lhes a vontade. Não há que contar com eles.

Entre os directamente afectados por mais esta machadada, os reformados pouco mais poderão fazer do que um ruído que apenas teria consequências numa sociedade em que os valores da solidariedade e do respeito por direitos adquiridos ao longo de uma vida inteira a trabalhar estivessem presentes, o que definitivamente não é o caso da nossa. Os funcionários públicos, que têm demonstrado ser uma massa amorfa sem capacidade para mais do que greves de apenas um dia, depois de permitirem cortes salariais que chegam aos 12%imediatamente a seguir a verem-se obrigados a trabalhar gratuitamente mais uma hora por dia sem esboçarem um ai, mostraram ao Governo que pode continuar a contar com eles para o papel de bombos da festa. Mais 1% de corte no salário não será nada que dentro de muito pouco tempo a grande maioria não duvide se não terá sido sempre assim.

O Presidente da República está-se nas tintas para tudo e para todos fora do polígono cujos vértices são ele próprio, o Governo, a maioria, a troika, a delinquência banqueira, os interesses dos grandes grupos económicos, as vaquinhas e as cagarras. Ah, e o Cristiano Ronaldo.

O PS agradece mais uma medida impopular que não terá que tomar quando for Governo para atingir a meta dos 0,5% do PIB como tecto para o défice orçamental, a ultra-austeridade que ajudou a aprovar na Assembleia da República  e que continuará a pôr em prática quando o poder lhe cair nas mãos novamente.

PCP e Bloco, cada um à sua maneira, são duas conchas impermeáveis a qualquer solução que obrigue a alterações nas lógicas internas dos partidos que tanto gostam de ser e que a grande maioria dos portugueses não gosta que sejam.

O Tribunal Constitucional espera pelo consenso que sairá das próximas eleições, isto é, pelo acordo entre PSD e PS sobre uma revisão constitucional que dê menos trabalho aos seus juízes.

E mais de 60% da população olha para tudo isto tranquilizando os terroristas reafirmando a sua firme intenção de continuar sem contar para nada: não votam nem saem de cima.

Concluindo: são apenas mais dois pequenos cortes. Podiam ser maiores? Podiam. As reacções seriam exactamente as mesmas. Por essa precisa razão, também não serão os últimos. Definitivamente, o terror encontrou o lugar certo para passar uma temporada. E não estou a dar novidade nenhuma. Nada mudará enquanto os portugueses não quiserem mudar-se. Os terroristas não encontram barreiras, avançam.

1 comentário:

fb disse...

Os lobos atacam, os coelhinhos encolhem-se, prossegue o terror. Desta vez, como vimos no post anterior, os lobos até sondaram os coelhinhos para saberem onde atacar. E atacaram aí. O Governo anunciou no princípio da noite de ontem que irá compensar o ataque abortado pelo TC às pensões de reforma da CGA alargando a “ base de incidência da denominada “taxa extraordinária de solidariedade” e aumentando mais uma vez os descontos para a ADSE aos funcionários públicos.