terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Produções ®RT-3D apresenta: "convergência"


Como pode ler-se abaixo, a aventura 3D terminou tal como começou, por iniciativa dos próprios. Não há convergência possível quando uma das partes, ainda por cima aquela que formalmente não existe, propõe à outra que prescinda da sua existência a seu favor. A impossibilidade completa-se quando, a juntar ao primeiro absurdo, se verifica que à frente de uma convergência que servisse o objectivo de unir as esquerdas está a carreira política de alguém que comprovadamente tem facilidade em rasgar o contrato eleitoral que se estabelece pelo voto entre eleitos e eleitores. Entre o 3D e o Livre, o 3D escolheu o Livre. A direcção do Bloco limitou-se a recusar o inaceitável. E saíram todos, saímos todos a perder.

 

Em declarações Ao Esquerda.net, João Semedo, coordenador do Bloco de Esquerda, explicou que, numa reunião realizada no dia 11 de Janeiro, os promotores do Manifesto 3D apresentaram duas possibilidades para concretizar a convergência eleitoral de Bloco de Esquerda, Renovação Comunista, o proto-Partido Livre e os promotores do Manifesto 3D. A primeira era a criação de um “partido-envelope” para uma candidatura conjunta. “Caberia ao Bloco de Esquerda apoiar a legalização de um novo partido, recolhendo assinaturas e abdicando de uma candidatura própria”, explica João Semedo. A hipótese alternativa era uma coligação entre o Bloco e o Partido Livre, se constituído entretanto.

O Bloco de Esquerda explicou que não podia considerar estas hipóteses e abriu a possibilidade de outro caminho. “Recusámos uma hipotética coligação com o Partido Livre por considerar que esta iniciativa de Rui Tavares tem como património político essencial a orientação do seu mandato no Parlamento Europeu, e este mandato foi desenvolvido no grupo dos Verdes Europeus, que apoiou o Tratado Orçamental europeu”, disse João Semedo. De facto, Rui Tavares aprovou, por exemplo, o visto prévio aos orçamentos nacionais, afirmando-se como aberto defensor do projecto federalista, ao qual o Bloco se opõe desde sempre. João Semedo chamou a atenção para o facto de ter sido Rui Tavares a afastar-se do espaço político da Esquerda Europeia ao deixar o grupo de eurodeputados do Bloco e ao integrar os Verdes Europeus.

João Semedo explicou ainda que "a proposta do partido-envelope significaria fazer desaparecer o Bloco nas europeias a favor de um novo partido a formar, do qual os membros do Bloco estariam excluídos porque a dupla filiação é proibida por lei, e cujo destino pós-eleitoral seria uma incógnita”. De resto, esta opção “implicaria um mandato democrático do partido que só uma Convenção Nacional poderia conferir”.

Em alternativa, na reunião de 11 de Janeiro, a delegação do Bloco de Esquerda propôs aos representantes do Manifesto 3D que fossem dados “passos imediatos para um acordo político em torno de uma plataforma programática e de um compromisso de candidatura”, que resultaria numa coligação, se o 3D optasse pela constituição em partido, ou na participação do 3D na lista do Bloco, podendo ainda ser alargado a outros parceiros por acordo mútuo entre Bloco e 3D. Em resposta, a Comissão Coordenadora do Manifesto 3D anunciou em comunicado que não foi possível encontrar uma solução "que correspondesse aos objectivos do Manifesto 3D”, apesar de constatar a concordância de princípio com a “necessidade da convergência nesta área política e com as questões programáticas essenciais constantes no Manifesto 3D, expressa por todos os interlocutores”.

 

2 comentários:

fb disse...

Como pode ler-se abaixo, a aventura 3D terminou tal como começou, por iniciativa dos próprios. Não há convergência possível quando uma das partes, ainda por cima aquela que formalmente não existe, propõe à outra que prescinda da sua existência a seu favor. A impossibilidade completa-se quando, a juntar ao primeiro absurdo, se verifica que à frente de uma convergência que servisse o objectivo de unir as esquerdas está a carreira política de alguém que comprovadamente tem facilidade em rasgar o contrato eleitoral que se estabelece pelo voto entre eleitos e eleitores. Entre o 3D e o Livre, o 3D escolheu o Livre. A direcção do Bloco limitou-se a recusar o inaceitável. E saíram todos, saímos todos a perder.

Em declarações Ao Esquerda.net, João Semedo, coordenador do Bloco de Esquerda, explicou que, numa reunião realizada no dia 11 de Janeiro, os promotores do Manifesto 3D apresentaram duas possibilidades para concretizar a convergência eleitoral de Bloco de Esquerda, Renovação Comunista, o proto-Partido Livre e os promotores do Manifesto 3D. A primeira era a criação de um “partido-envelope” para uma candidatura conjunta. “Caberia ao Bloco de Esquerda apoiar a legalização de um novo partido, recolhendo assinaturas e abdicando de uma candidatura própria”, explica João Semedo. A hipótese alternativa era uma coligação entre o Bloco e o Partido Livre, se constituído entretanto.
O Bloco de Esquerda explicou que não podia considerar estas hipóteses e abriu a possibilidade de outro caminho. “Recusámos uma hipotética coligação com o Partido Livre por considerar que esta iniciativa de Rui Tavares tem como património político essencial a orientação do seu mandato no Parlamento Europeu, e este mandato foi desenvolvido no grupo dos Verdes Europeus, que apoiou o Tratado Orçamental europeu”, disse João Semedo. De facto, Rui Tavares aprovou, por exemplo, o visto prévio aos orçamentos nacionais, afirmando-se como aberto defensor do projecto federalista, ao qual o Bloco se opõe desde sempre. João Semedo chamou a atenção para o facto de ter sido Rui Tavares a afastar-se do espaço político da Esquerda Europeia ao deixar o grupo de eurodeputados do Bloco e ao integrar os Verdes Europeus.
João Semedo explicou ainda que "a proposta do partido-envelope significaria fazer desaparecer o Bloco nas europeias a favor de um novo partido a formar, do qual os membros do Bloco estariam excluídos porque a dupla filiação é proibida por lei, e cujo destino pós-eleitoral seria uma incógnita”. De resto, esta opção “implicaria um mandato democrático do partido que só uma Convenção Nacional poderia conferir”.
Em alternativa, na reunião de 11 de Janeiro, a delegação do Bloco de Esquerda propôs aos representantes do Manifesto 3D que fossem dados “passos imediatos para um acordo político em torno de uma plataforma programática e de um compromisso de candidatura”, que resultaria numa coligação, se o 3D optasse pela constituição em partido, ou na participação do 3D na lista do Bloco, podendo ainda ser alargado a outros parceiros por acordo mútuo entre Bloco e 3D. Em resposta, a Comissão Coordenadora do Manifesto 3D anunciou em comunicado que não foi possível encontrar uma solução "que correspondesse aos objectivos do Manifesto 3D”, apesar de constatar a concordância de princípio com a “necessidade da convergência nesta área política e com as questões programáticas essenciais constantes no Manifesto 3D, expressa por todos os interlocutores”.

Alexandre de Castro disse...

Há vida política para além dos partidos, mas não pode haver política sem os partidos. Os mentores do do Movimento 3D queriam, ao mesmo tempo, sol na eira e chuva no nabal. Queriam, em igualdade de condições e de circunstâncias, pendurar-se num partido já constituído e que tem compromissos estabelecidos com os seus militantes e simpatizantes, e, ao mesmo tempo, não queriam assumir os riscos de serem um partido político. Se essa coligação viesse a ter êxito eleitoral, poderiam sempre reclamá-lo para si. Se a coligação falhasse, a culpa seria do Bloco de Esquerda.
Por outro lado, todas estas movimentações de uma certa esquerda esquecem um elemento estruturante essencial. Não pode haver unidade de esquerda sem a participação do PCP, um partido que pauta a sua credibilidade pela coerência das suas posições políticas e pelo facto de reunir em si as três condições básicas para ser um verdadeiro partido político de alternativa, pois tem uma ideologia, um programa claro e transparente e uma forte organização, assente numa dedicada militância. O resto da esquerda anda à deriva, procurando pouso.