segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Outra vez branquinho


Quando era deputado, o secretário de Estado da Segurança Social, Agostinho Branquinho,  foi uma peça chave no licenciamento de um hospital privado em que uma denúncia de corrupção foi usada como instrumento de pressão. A actividade, exercida em paralelo com a de deputado, alegadamente de “consultoria, nunca foi declarada no registo de interesses da Assembleia da República nem no Tribunal Constitucional, como a lei impõe. A embrulhada entretanto foi parar à Justiça sem vestígios de Branquinho, que nunca foi ouvido na fase de investigação, e não foi incluído nos autos nem mesmo depois da insistência do advogado de dois dos arguidos no processo no sentido de esclarecer em que moldes se processou a alegada “consultoria”: o juiz de instrução ignorou o pedido de inquirição. A notícia é fruto de mais um excelente trabalho jornalístico de José António Cerejo e surge dias depois de uma reportagem da SIC sobre negócio semelhante, num momento em que toda a espécie de racionamentos no SNS produz um autêntico inferno nos hospitais e centros de saúde de Norte a Sul de Portugal. É sobre este sofrimento que prosperam os negócios da Saúde privada. Apenas escapa quem pode pagar.


Vagamente relacionado: o estudo “Governar para as Elites – Sequestro Democrático e Desigualdade Económica”, divulgado esta segunda-feira pela organização humanitária Oxfam, conclui que a riqueza concentrada nas mãos das 85 pessoas mais ricas do mundo equivale aos recursos da metade mais pobre da população mundial (3600 milhões de pessoas). O documento pretende ser um alerta para os mais ricos e poderosos do mundo. O poder económico e político está “a separar cada vez mais as pessoas”, o que torna inevitáveis “as tensões sociais e o aumento do risco de ruptura social”, sublinha a Oxfam, segundo a qual quase metade da riqueza mundial está nas mãos de apenas 1% da população. São cerca de 110.000 milhões de euros, um valor que é 65 vezes maior do que o total de recursos de que dispõe a metade mais pobre da população. A organização revela que sete em cada dez pessoas vivem em países onde a desigualdade económica aumentou nos últimos 30 anos e que o peso dos rendimentos do 1% mais rico da população nos rendimentos totais dos seus países cresceu em pelo menos 24 dos 26 Estados para os quais dispõe de dados. Esta tendência crescente de concentração de riqueza é notória “mesmo em países considerados mais igualitários, como a Suécia e a Noruega”. Em Portugal, à semelhança dos Estados Unidos e da China, o peso dos rendimentos dos mais ricos no rendimento total do país mais que duplicou desde 1980, “e a situação tem vindo a piorar”, lê-se no relatório.

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