terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Da longa série "como não deve ser um PR"


Depois do espectáculo degradante proporcionado pelos deputados que aprovaram na Assembleia da República a submissão de direitos humanos elementares a referendo, o documento seguiu o seu curso habitual e chegou às mãos de Cavaco Silva ou para promulgação, caso estivesse de acordo, ou para veto, caso o repugnasse dar-lhe o seu aval ou, sei lá, caso entendesse que o malfadado referendo tem custos a evitar na tal “situação que o país atravessa”. Ou então para reenvio ao Tribunal Constitucional para apreciação preventiva, caso a sua opção fosse novamente a de não ser Presidente da República. E assim foi. O garante do regular funcionamento das instituições democráticas não hesitou em desgastar o Tribunal Constitucional pondo-o a fazer de escudo e a tomar a decisão que o Presidente de todos os portugueses, incluindo casais do mesmo sexo e respectivos filhos , não quis tomar. Ainda poderá vetar o referendo, é verdade, mas por razões constitucionais, “porque foram aqueles senhores que disseram”. Cavaco não se repugna com a sua própria cobardia. O espectáculo segue dentro de momentos, cada vez mais degradante, cada vez mais asqueroso.

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