segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Auto-retrato


Na moção que vai apresentar ao Congresso do PSD, Pedro Passos Coelho  traçou um perfil do candidato presidencial a apoiar pelo partido, considerando que este não pode ser protagonista catalisador de qualquer conjunto de contrapoderes ou num cata-vento de opiniões erráticas em função da mera mediatização gerada em torno do fenómeno politico» e não «deve buscar a popularidade fácil». Marcelo Rebelo de Sousa anunciou imediatamente que não será candidato a Belém por se ver retratado na descrição de Passos Coelho. Se é o próprio a considerar-se o tal cata-vento de opiniões erráticas, o manipulador que busca popularidade fácil, quem somos nós para dizer o contrário? A partir de agora, atenção à cama que o nosso despeitado cata-vento começará a fazer a Durão Barroso. A corrida para Belém do Zé Manel está com cara de ter começado ontem. Ou então aquilo era o manipulador a semear verdes para colher maduras. Seja lá como for, para a posteridade, fica um auto-retrato que é uma maravilha.

Sobre o cata-vento da sala de comentários ao lado: o Fisco detectou vendas ilegais de acções da Isohidra feitas por Marques Mendes e Joaquim Coimbra (caso BPN), em 2010 e 2011, e que terão lesado o Estado em 773 mil euros. As acções foram vendidas por 51 mil euros, mas valiam 60 vezes mais: 3,09 milhões, avança hoje o Jornal de Notícias (JN). As contas são de uma inspecção sobre a Isohidra - Sistemas de Energia Renovável, Lda. que a Autoridade Tributária (AT) concluiu há menos de dois meses. Marques Mendes foi o tal comentador que em 2011 defendeu a tese de que não houve favorecimento no caso da venda das acções da SLN por Cavaco Silva, alegando que “Cavaco até vendeu as acções abaixo do preço”.
 Sobre outros excelentes negócios com acções: A Caixa Geral de Depósitos (CGD) requereu, no início deste mês, à CMVM que não publicitasse a multa de 300 mil euros que aplicou à Caixa BI e à Caixagest, com o compromisso de que o grupo estatal não recorreria judicialmente da decisão do regulador. A autoridade de fiscalização das operações de bolsa acusa as duas sociedades da CGD dos crimes de manipulação de mercado, de violação dolosa do dever de não utilização de informação privilegiada relativa a emitentes e de quebra do dever de defesa dos investidores (nomeadamente dos pequenos accionistas).

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