sábado, 11 de janeiro de 2014

A hora da recompensa



Alguns dos maiores responsáveis pelo programa de transferência de riqueza actualmente em curso em Portugal já começaram a ser recompensados pelos seus serviços por algumas das instituições políticas e financeiras internacionais que têm contado com as suas prestimosas colaborações. O ex-ministro das Finanças Vítor Gaspar conta com o apoio do governo alemão para ir para o FMI. Arnaut salta das privatizações para o banco que ajudou a tornar o maior accionista dos CTT, recentemente vendido a preço de amigos pelo actual Governo. O ex-ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, vai para a OCDE. Paulo Portas é apontado para a Comissão Europeia.  

Vítor Gaspar foi nomeado por Durão Barroso, em Novembro passado, para presidir ao grupo de alto nível para a tributação da Economia Digital. Neste sábado, o jornal “Expresso” anuncia que o ex-ministro das Finanças se candidatou a director para os assuntos fiscais do FMI, contando com o apoio do governo alemão. É de lembrar que Vítor Gaspar é um fiel discípulo do ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schaüble.

José Luís Arnaut, que foi ministro do PSD nos governos de Durão Barroso e Santana Lopes, e que nos últimos anos esteve ligado a todas as privatizações, foi nomeado para o conselho consultivo internacional do Goldman Sachs, um dos maiores bancos do mundo. Segundo o comunicado do Goldman Sachs, as funções de Arnaut passam por “fornecer conselhos estratégicos sobre uma série de negócios, regiões, políticas públicas e questões económicas, em particular sobre Portugal e os países africanos de língua portuguesa”. José Luís Arnaut vai substituir o ex-primeiro-ministro italiano Mario Monti e integrará um grupo de 18 membros, que é presidido por Robert Zoellick, ex-presidente do Banco Mundial. José Luís Arnaut é sócio da importante firma de advogados CMS Rui Pena & Arnaut (RPA), que nos últimos anos tem estado em todas as privatizações e é actualmente administrador da REN (mandato 2012/2014). Em artigo no jornal Expresso, Pedro Santos Guerreiro refere que José Luís Arnaut foi o “advogado mais influente” no extenso programa de privatizações do actual governo. “José Luís Arnaut esteve em todas. Ora trabalhando para o Estado, ora para as empresas vendidas, ora para as empresas compradoras. Arnaut foi decisivo nas privatizações da EDP, REN, ANA, TAP (que falhou) e agora nos CTT”. É caso para sublinhar que provavelmente é impossível encontrar maior promiscuidade entre política e interesses públicos, por um lado, e interesses privados, por outro. Na privatização dos CTT, José Luís Arnaut assessorou o banco Goldman Sachs, que se tornou no maior accionista da empresa. Ainda segundo o “Expresso”, citado pelo esquerda.net, a firma de Arnaut representou os interesses de bancos como o Goldman Sachs e o JP Morgan nas negociações dos swaps com o Estado.

Álvaro Santos Pereira vai para a OCDE. O ex-ministro da Economia é o novo director do departamento de Country Studies da OCDE e ficará responsável pelas negociações com os ministros da Economia e das Finanças dos países da organização.

Paulo Portas disse neste sábado à entrada do XXV Congresso do seu partido, que decorre em Oliveira do Bairro, Aveiro, que "a única" comissão política a que se candidata é a do CDS-PP, não adiantando qualquer detalhe sobre a notícia do PÚBLICO que o aponta como potencial candidato a comissário europeu. Ainda se desconhece se a sua decisão é ou não irrevogável.

2 comentários:

Anónimo disse...

Todos bons rapazes.....

Gi disse...

Obrigada, Filipe, por continuar a chamar a atenção para estas voltas e voltinhas.