No final de novo braço de ferro
entre o Governo e os professores, o balanço acaba por não ser nada difícil de fazer. Tão fácil resultou a tarefa que foi o próprio secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário a fazê-lo com notável mestria, brilhando em grande numa comunicação que foi breve e sem direito a perguntas dos jornalistas. João Grancho começou por lamentar
os incidentes que ocorreram durante a manhã desta quarta-feira em algumas
escolas, onde candidatos foram impedidos de realizar a Prova de Avaliação de
Conhecimentos e Capacidades (PACC) e outros professores foram impedidos de as
vigiar, concluindo com a informação de que o ministério vai agendar nova data
para a realização da mesma. De nada serviu a tradicional mãozinha que os
sindicatos afectos à UGT deram ao Governo na sua estratégia de dividir a
classe, de nada serviu convocar centenas de suplentes para vigiar a prova, de
nada serviu a estratégia de intimidação que Crato tentou ao enviar polícia de
choque às escolas para receber os professores. A prova teve que ser adiada. Crato perdeu outra vez.
Qualquer balanço ficaria incompleto
sem uma alusão aos incidentes que o já atrás sublinhado brilhantismo de João Grancho teve o cuidado de não se esquecer de referir: houve professores que
furaram a greve e aceitaram ser cúmplices do Governo e vigiar a prova e houve
professores que furaram o boicote e aceitaram submeter-se a uma humilhação para
ganharem vantagem sobre todos aqueles que se recusaram e ficaram lá fora a
lutar por todos, incluindo os próprios amarelos. É lamentável que a dignidade, o
sentido de classe e todos aqueles valores que nos diferenciam dos animaizinhos não
sejam avaliados para efeitos de ingresso na carreira docente. A escola deveria ser
aquele lugar onde se aprende a ser gente com quem sabe o que isso é. Nuno Crato
é capaz de ter alguma razão quando insinua que há professores que não têm os mínimos.

