terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Uma esquerda museu



Aos 89 anos, Mário Soares vê a sua intervenção na sociedade portuguesa nos últimos meses reconhecida com a distinção pela Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal com o Prémio Personalidade do Ano/Martha de la Cal deste ano. Nas reacções, quem diria, alguma esquerda aponta para a sua direita e identifica sinais de incomodidade à notícia e vangloria-se por Soares ser de esquerda. E este prémio deveria ser factor de preocupação da esquerda, não da direita, ou não tivesse Soares a idade que tem, ou a sua necessidade de intervir como interveio não tivesse nascido de um apagão generalizado à esquerda, no meio do qual não lhe foi nada difícil brilhar. Que mal estamos com um Seguro talhado à medida dos prémios “troikista bonzinho-moderadinho” e “aquele menino bateu-me”. Com um Jerónimo de Sousa que faria de Seguro se a troika fosse chinesa ou angolana. Com uma Catarina Martins que acumula prémios “o que foi que ela disse?” e um João Semedo a quem uma boa dose de cafeína assentaria melhor do que o prémio Xanax. Falta-nos esquerda no presente do indicativo. O prémio de Soares, inteiramente merecido, constata-o mais uma vez. A esquerda passado mobiliza. A esquerda presente não sai de si mesma.