domingo, 15 de dezembro de 2013

Sobre nós e os partidos

«(...) Não é novidade para ninguém: as máquinas partidárias tornaram--se centros de emprego, sem ideologia e com lógicas de funcionamento de mera sobrevivência interna e de obtenção do poder pelo poder. Já ninguém ignora os pagamentos de quotas em massa, as entradas inexplicáveis de novos militantes, os sindicatos de voto. Parece claro que os partidos, sobretudo o PS e o PSD, são os maiores exemplos da crise de representatividade - problema que não se esgota, longe disso, nos partidos. Ou seja, só marginalmente representam os seus eleitores ou, pelo menos, seguem lógicas muitas vezes opostas a quem neles vota.(...) Com todos os seus defeitos, e que se têm avolumado com o tempo, é também aos partidos que devemos a democracia e as transformações notáveis na nossa comunidade. O constante discurso contra eles é muitas vezes merecido, mas outras tantas não medido. Afinal o que se quer? Acabar com eles? Substituí-los por que tipo de organizações? Mudá-los de que forma? Convém sempre lembrar que é muito por culpa nossa, pela forma como entendemos a nossa vida em comunidade, como também fomos pondo uma barreira entre nós e eles, que deixámos que os partidos chegassem ao estado em que estão. É sobretudo fundamental que não comece a singrar o discurso dos homens providenciais. E que esses homens não se deixem embalar com canções de movimentos de patriotas que os queiram levar ao poder contra os partidos e o "sistema. (...)» – Pedro Marques Lopes, no DN.

Uma pequena nota: e se, em vez de voltarem as costas aos partidos e de se entreterem a dizer umas quantas sobre políticos todos iguais, os portugueses tratassem mas era de, fazendo-se militantes, mudar os partidos por dentro? A democracia está aí, mesmo à mão de semear. A democracia somos todos nós, cada um de nós.