PISA, PISA, PISA! Viva o eduquês. “As teses sobre o facilitismo eram, elas
próprias, facilitistas”. A esquerda, sim, essa mesma, aquela que entra em efervescência
só de ouvir falar em provas de avaliação, a mesma que esperneia com alergia a rankings,
rejubila com um ranking que é resultado de, adivinhem lá, provas de avaliação. E
provas de avaliação concebidas segundo os critérios dessa organização (não é nada) de esquerda
chamada OCDE. Não sei por quê, há aqui qualquer coisa que não casa. Estarão eles
a falar sobre aqueles jovens reivindicativos, maduros, esclarecidos sobre o que
querem e sobre o que não querem, os tais que não se vêem nas manifestações? Ah,
sim, agora percebo. Nunca vão porque ficam em casa a ler. Tenho uma vaga ideia de
ter ouvido para aí que as livrarias não têm mãos a medir com a avalanche de jovens
que as invade diariamente.
Pisa, pois pisa. Isto parece uma disputa entre esquerda e direita sobre a melhor forma de dar cabo da Educação. A direita quer um ensino com uma qualidade estratificada, boa para ricos e má para pobres, e vai desviando os recursos que garantiam a qualidade da rede pública para o ensino privado. A esquerda opõe-se, e muito bem, mas defende um ensino que não diferencie o bom do mau aluno. Em ambos os casos, o resultado é o mesmo, a Educação deixa de ser um elevador social a que todos têm acesso. No caso da direita, o processo é directo: apenas quem é rico tem acesso à melhor Educação. E isto é direita, não há nada de estranho que a direita trabalhe na promoção do modelo social que defende. Já no caso da esquerda o resultado é um sistema de ensino que, porque não diferencia aptidões e competências, devolve ao sobrenome de família e ao círculo de relacionamentos que esta mantenha o desempate na competição por um lugar ao sol no mercado de trabalho. E isto não tem nada de esquerda. Nada. Pelo contrário.
