quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

PISA, pois pisa


PISA, PISA, PISA! Viva o eduquês. “As teses sobre o facilitismo eram, elas próprias, facilitistas”. A esquerda, sim, essa mesma, aquela que entra em efervescência só de ouvir falar em provas de avaliação, a mesma que esperneia com alergia a rankings, rejubila com um ranking que é resultado de, adivinhem lá, provas de avaliação. E provas de avaliação concebidas segundo os critérios dessa organização (não é nada) de esquerda chamada OCDE. Não sei por quê, há aqui qualquer coisa que não casa. Estarão eles a falar sobre aqueles jovens reivindicativos, maduros, esclarecidos sobre o que querem e sobre o que não querem, os tais que não se vêem nas manifestações? Ah, sim, agora percebo. Nunca vão porque ficam em casa a ler. Tenho uma vaga ideia de ter ouvido para aí que as livrarias não têm mãos a medir com a avalanche de jovens que as invade diariamente.  

Pisa, pois pisa. Isto parece uma disputa entre esquerda e direita sobre a melhor forma de dar cabo da Educação. A direita quer um ensino com uma qualidade estratificada, boa para ricos e má para pobres, e vai desviando os recursos  que garantiam a qualidade da rede pública para o ensino privado. A esquerda opõe-se, e muito bem, mas defende um ensino que não diferencie o bom do mau aluno. Em ambos os casos, o resultado é o mesmo, a Educação deixa de ser um elevador social a que todos têm acesso. No caso da direita, o processo é directo: apenas quem é rico tem acesso à melhor Educação. E isto é direita, não há nada de estranho que a direita trabalhe na promoção do modelo social que defende.  Já no caso da esquerda o resultado é um sistema de ensino que, porque não diferencia aptidões e competências, devolve ao sobrenome de família e ao círculo de relacionamentos que esta mantenha o desempate na competição por um lugar ao sol no mercado de trabalho. E isto não tem nada de esquerda. Nada. Pelo contrário.

Gostei de ler: "Servidão voluntária"

«Apesar de anticomunista, Churchill não hesitou em apoiar a URSS em 1941, dizendo: "Se Hitler invadisse o Inferno, eu faria, pelo menos, uma referência favorável ao Diabo na Câmara dos Comuns." Leio pelos jornais que um membro do Governo de Passos Coelho, chamado Maçães, foi à Grécia envergonhar o nosso país. Apesar de, a acreditar pelo CV publicado no sítio do Governo, ele ter alguma escolaridade em matéria de Direito e Ciência Política, a sua recusa perentória de uma frente de países do Sul (onde se incluiriam até a França, a Itália e a Espanha) contra a política que Merkel está a impor à Europa inteira revela que, no mínimo, ainda não atingiu aquele grau de estabilidade emocional e hormonal a que uns chamam maturidade e outros, simplesmente, juízo. A indigência intelectual deste Governo está a ultrapassar todos os limites. Desde quando um secretário de Estado vincula o seu país numa situação tão estrategicamente delicada? Desde quando um país em hemorragia aberta pode descartar alianças com aqueles, mesmo que sejam "diabos", que têm objetivos comuns (interromper a austeridade destrutiva)? Desde quando é sensato aderir incondicionalmente a uma política (do Governo de Berlim) que é diametralmente oposta ao interesse nacional? A imprensa grega não tem razão ao chamar "alemão" a Maçães. Os alemães não se confundem com o seu Governo conjuntural, como os portugueses não podem ficar ostracizados pelo trágico episódio desta coligação. O seu problema foi diagnosticado por La Boétie, no século XVI: só há tirania porque há demasiada gente pronta à "servidão voluntária". Este Governo é um equívoco dos "lugares naturais". Os lacaios passaram do anexo para o palácio. Importa devolvê-los ao seu lugar, antes que a pilhagem seja irreversível.» – Viriato Soromenho Marques, no DN.