A semana arranca com a 10ª
“avaliação” da troika marcada para ter início na Quarta-feira e com rumores que
nos dão conta de planos de mais cortes salariais, ainda sem o acordo do Governo que sempre está de acordo, agora no sector privado.
Todos aqueles espíritos generosos que caíram no logro de se regozijarem com
todas as medidas com a mesma natureza que foram aplicadas aos seus colegas do
público têm nova oportunidade de reconfirmarem o que por aqui tenho escrito
desde que esta cavalgada contra os direitos de quem trabalha começou a assumir
um ritmo insuportável, ainda durante os Governos de José Sócrates, quanto a ir
calhando a vez a todos.
Sobre os últimos resultados desta
reengenharia social, que vai fazendo o seu caminho com toda a facilidade sobre este
trilho de ódios e invejas sociais, já pela mão de Pedro Passos Coelho e Paulo
Portas, no
I lê-se sobre os quase 77 milhões gastos em contratos de limpeza em menos
de dois anos. Embora ainda sem a visão de conjunto apenas proporcionada pelos
dados das execuções orçamentais disponibilizadas pela DGO, cuja interpretação e
análise comparativa requerem conhecimentos em contabilidade orçamental que não abundam
na nossa imprensa económica, esta começa a mostrar, caso a caso, sector a
sector, que a redução nas rubricas de “remunerações certas e permanentes” foi largamente
compensada com os aumentos verificados nas rubricas de “aquisição de bens e serviços”,
isto é, que as reduções salariais e a diminuição do número de efectivos na Administração
Pública não tem servido para mais nada do que para colocar serviços anteriormente
assegurados por trabalhadores em funções públicas nas mãos daqueles privados cuja
proximidade a decisores de serviços públicos
da área geográfica onde desenvolvem as suas actividades lhes foram proporcionando
os contratos respectivos. Contratos que decompõem o que antes era o salário de um
funcionário público no lucro que recompensa o seu “empreendedorismo” de Estado e
na retribuição mínima que estes "empreendedores" pagam aos seus “colaboradores” como forma de maximizar
esse lucro. Aquele “estamos em crise, temos que fazer sacrifícios...” ainda vai convencendo.
