Os consensos e a bimbofonia. O jornal “A dica” avança que aAPPDQ
)Associação de Portugueses que dizem “quaise”) chegou a um entendimento com a
APPDA (Associação de Pessoas que dizem “aquase”) para que as duas organizações
se fundam num “aquaise” mais abrangente. Na mesma linha, aquele rapaz que se
fez eleger para o Parlamento Europeu por um partido de esquerda e acabou o
mandato sentado numa bancada de centro-direita puxou dos apuradíssimos valores
patriótico-consensuais que lhe inspiraram a troca de casaca para criar um
partido cuja missão é impedir os partidos de esquerda de, diz ele, continuarem
a empurrar o PS para a direita. Este pastorinho Francisco dos nossos tempos não
descansa enquanto não vir um entendimento à esquerda que produza as aparições
de Catarina Martins no cimo de uma azinheira a defender um código do trabalho
ainda mais flexibilizador de despedimentos do que o de Sócrates, com João
Semedo ao seu lado a rasgar acordos de concertação social de actualização do
salário mínimo, enquanto, na azinheira ao lado, Jerónimo de Sousa anuncia que
se absterá violentamente na votação de mais um Orçamento que agrava impostos
sobre o trabalho para reduzir o esforço fiscal dos grandes grupos económicos,
tudo para não enervar os mercados. Evidentemente, com o rapaz a assistir
sentado numa cadeira com uma dignidade compatível com toda a sua genialidade,
ou pelo menos "aquaise". O mundo pode ser tão simples. Nós é que o
complicamos.
Vagamente relacionado:
Com o mal-estar que se vive em Portugal, o Partido Socialista podia ter 90% dos
votos se fosse mais activo, afirmou esta quarta-feira o antigo presidente da
República Mário
Soares. Em resposta, Eurico
Brilhante Dias, membro do Secretariado Nacional do PS, defendeu que “a
expressão do dr. Mário Soares não é para ser levada à letra". O PS é aquilo, apenas aquilo e nada mais do que aquilo. E está satisfeito consigo mesmo.
