O Banco de Portugal acaba de
divulgar o seu relatório
da actividade, que pela primeira vez agrega informação relativa aos
sectores segurador, dos fundos de pensões e dos fundos de investimento. O
documento revela que “o rácio de cobrança duvidosa manteve a trajectória
ascendente, registando níveis máximos desde o início da área do euro”. Segundo o
documento, No final de Junho, “cerca de 30% das empresas com divida” aos bancos
“encontravam-se em situação de incumprimento”. Antes do auge da crise
financeira, no Verão de 2008, o rácio de incumprimento das empresas rondava os
15%. Em termos do total do crédito, em Junho “representava cerca de 12% dos
empréstimos totais” obtidos pelas empresas. Embora o cenário negativo seja transversal
a todos os sectores, as áreas da construção, do imobiliário e do comércio
contribuíram mais “significativamente” para a degradação do rácio total de
crédito de cobrança duvidosa. O Banco de Portugal alerta para a incerteza sobre
a evolução da economia portuguesa como "uma condicionante fundamental da
estabilidade e solidez do sector financeiro”, pelo que “constitui um risco
importante” para a banca. E admite que as medidas incluídas no OE para 2014 não
são favoráveis. Em Outubro, recorde-se, o FMI alertou para a possibilidade de a
banca portuguesa poder vir a ter de enfrentar perdas adicionais de 8 mil
milhões de euros nos próximos dois anos, perdas essas provocadas pelo crédito malparado
das empresas fortemente endividadas, o que tenderá a acentuar-se caso não se
verifiquem melhorias das condições económicas e financeiras, uma improbabilidade
ainda maior com o reforço da austeridade que a maioria hoje aprovou no Parlamento.
2014 será ainda pior do que 2013, tal como 2013 foi bastante pior do que 2012. Quem diria. E
a crise mesmo quase, quase, quase a ir-se embora.
