“É positivo que, pela primeira
vez em cinco anos, o desemprego desça, não só face ao mês anterior, como ao ano
anterior. Estes são sinais positivos que dão esperança e confiança para
continuar a trabalhar para criar mais postos de trabalho, combater o
desemprego, promover a contratação, que são as primeiras prioridades do
Governo”. Foi assim, e dizendo
que o desemprego
é o maior problema da nossa economia e o maior drama social, que o compungido e
exultante Ministro do Emprego e Segurança Social reagiu aos números do Eurostat
hoje
divulgados, que registam um recuo da taxa de desemprego para os16,3%, 864
mil desempregados.
Porém, os sinais positivos de Pedro
Mota Soares esbarram noutros mesmo nada positivos, nomeadamente com a autêntica
calamidade dos 121.418 portugueses que emigraram no último ano por não encontrarem
emprego, 332 por dia, 2334 por semana, 10.118 por mês, naquele que é o recorde de
sempre, batendo o anterior
máximo histórico
registado em 1966. Fazendo as contas, retirando aos 16,3% ó número daqueles
que emigraram apenas no último ano, a taxa de desemprego estaria actualmente nos
18,6%, 2,3% acima da alegria de Pedro Mota Soares e 7,2% acima da taxa de desemprego
que se verificava quando desmontou da Vespa
para o Governo
em meados de 2011.
Desde então, foi sempre a perder. Pedro Mota Soares, aquele que reduziu drasticamente as protecções sociais no desemprego e o Rendimento Social de Inserção, teria boas razões para voltar a montar a Vespa e regressar lá para onde nunca devia ter saído.
Este inferno de miséria tem a sua assinatura.
Vagamente relacionado:
A EDP, em conjunto com a polícia, montou hoje uma operação de
corte de electricidade
a todos os moradores do
bairro do Lagarteiro, no Porto, com dívidas à empresa.
O momento foi presenciado pelas câmaras da RTP. Os assistentes sociais dizem
que alguns dos moradores que ficaram sem luz estão em situação de verdadeira
emergência social. (vídeo
aqui)
Ainda mais vagamente: de acordo com o Boletim
Estatístico do Emprego Público, divulgado nesta
quarta-feira, no final de Junho, o conjunto das administrações públicas
empregavam 574.946 trabalhadores, menos 4,7% do que em Junho de 2012. Ao todo,
no espaço de um ano, saíram do Estado mais de 28 mil funcionários. Nos últimos
18 meses, a aposentação foi o principal motivo de saída de trabalhadores (58,5%
do total das saídas), seguindo-se a caducidade dos contratos a termo (38%).