De acordo com o barómetro
i/Pitagórica do mês de Outubro, se as eleições fossem hoje, o PS ganharia
com 36,7% dos votos. Confirma-se toda a razão de António José Seguro em não
dizer uma palavra contra a austeridade que está a destruir o país. Os
portugueses contentam-se com a alteração do partido que a conduzirá e com a
mudança do nome do Primeiro-ministro que será a sua nova cara.
Do lado das alternativas, o
barómetro desmente aquele que a seguir à pesada derrota nas autárquicas disse
que não havia motivos para alterar a liderança e a estratégia do Bloco de
Esquerda. É o partido que mais cai, 2,1%, para
6,6%, uma queda de valor equivalente à subida dos socialistas. O PCP
sobe uns ligeiros 0,1%, para os 13,2%. Somando PCP e BE obtemos 19,8%, bastante
acima dos 10% de mandatos parlamentares que garantem o mínimo de deputados
necessário para requerer a fiscalização sucessiva de uma norma legislativa.
Menos tranquilizadora é a soma
dos três partidos do chamado "arco da governabilidade", que poderá
rapidamente transformar-se no arco de uma revisão constitucional que torne
qualquer aberração legislativa conforme com a lei fundamental: PS (36,7%), PSD
23,7%)e CDS (8,6%, a subir 0,5%) somam69%. Se as eleições fossem hoje, os três partidos
do nosso rotativismo teriam votos suficientes inclusivamente para reduzir o número
de deputados da AR, alterar a lei eleitoral e introduzir os círculos uninominais
ou qualquer outra com o mesmo efeito de varrer do Parlamento Bloco de Esquerda e
PCP. Os dois partidos da apesar de tudo esquerda de palavra continuam a adiar a convergência, o PCP aprisionado aos seus dogmas e o Bloco a brincar às causas fracturantes e às lideranças bicéfalas, num momento
em que os portugueses também brincam ao "os políticos são todos iguais"
e ao "não há alternativas". Tudo o que venha a acontecer corresponderá
a esta conjugação de vontades. E de falta delas.