sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Atenção à parceria


O general na reserva Bento dos Santos Kangamba, casado com uma sobrinha do Presidente José Eduardo dos Santos, tem ordem de prisão no Brasil e o nome na lista de procurados na Interpol. Kangamba  está acusado de gerir uma rede de tráfico de mulheres do Brasil não só para Angola, que seria o principal destino, mas também para Portugal, África do Sul, e Áustria, segundo o diário brasileiro Estado de São Paulo. Como de costume quando algum bandido da elite angolana tem problemas com a Justiça de outro país, com a justiça angolana há tudo menos problemas, um porta-voz de Kangamba desmentiu as acusações e diz que estas visam “atingir e caluniar outras personalidades”, cita a agência Angola Press. A notícia nada diz sobre eventuais consequências sobre a parceria existente entre Angola e o Brasil. Esse tipo de ameaças é tratamento reservado para aquela espécie de estadistas que anda sempre com os joelhos sujos, quando não também as mãos.

Gostei de ler: "O homem das peúgas devia subir a ministro"


«Álvaro Costa tem uma fábrica de peúgas em Barcelos e não diz que exporta "strumpor" para a Suécia. Diz "peúgas". Homem simples, ele não fala sueco e inglês pronuncia mal. Se calhar, Álvaro Costa também não lê jornais económicos, daqueles que explicam os swaps, assim: "No fundo é como no casino. Apostamos no vermelho mas às vezes sai o preto." Ora quem vai ao casino sabe onde entra, há luzinhas à porta a apagar e a acender. Mas, em 2008, quando o gerente de um banco falou ao fabricante de peúgas, não trazia na cabeça luzinhas a apagar e a acender. O bancário propôs um "contrato swap", o que ficou entendido como trocar para taxa fixa os juros do empréstimo que o empresário fizera. Troca, pensou este, dentro de um risco razoável entre gente séria. Mas veio a crise e Álvaro Costa descobriu que, afinal, até era mais do que roleta, era jogar a vermelhinha com aldrabões: "Eu ainda hoje não percebo muito bem o que é um contrato suópi", diz. Ignorante? Sim, como todos, até a nossa ministra das Finanças, que também fez swaps (ela pronuncia bem) sem calcular o risco todo. Mas se Álvaro Costa era ignorante em swaps, não era tanso. Pagou os juros que o banco lhe pedia, mas meteu-o em tribunal. Ganhou. O Supremo anulou o contrato e obrigou o banco a devolver o abuso. Infelizmente, os sapateiros que subiram acima do chinelo e chegaram a ministros não têm, com o nosso dinheiro, o mesmo interesse que o fabricante de peúgas tem com o dele. [Guardam todo o seu zelo para o dinheiro dos amigos a quem fizeram o favor de comprar o lixo]» – Ferreira Fernandes, no DN.