António
Saraiva, Presidente da Confederação da Indústria (CIP) defende que “o
limite admissível” para o aumento da idade da reforma são os 66 anos para, logo
a seguir, pedinchar ao Governo contrapartidas a conceder às empresas a título
de compensação pela penalização que a medida tem sobre a renovação dos seus
quadros. “Compreendemos a necessidade de garantir a sustentabilidade da
Segurança Social”, realçou à saída da reunião da Comissão Permanente de
Concertação Social.
Reescrevamos o parágrafo
anterior. António Saraiva, o representante patronal da indústria portuguesa,
valoriza ou desvaloriza tanto a competitividade do sector que representa ao
ponto de vender publicamente o apoio a um Governo que tem a irresponsabilidade
de implementar uma medida que prejudica essa competitividade a troco de uns
dinheiritos que sempre dão jeito. É o Governo que tem o poder de os dar, é para
o Governo que vai todo o seu apoio. António Saraiva compreende a necessidade de
garantir a sustentabilidade da Segurança Social desde que ela não passe pelo
aumento do salário mínimo, sem actualização desde 2010, tal como os descontos
para a Segurança Social que sobre ele são calculados.
E ficamos esclarecidos. A
competitividade dos industriais portugueses é igual à competitividade de Pedro
Passos Coelho e esta, por sua vez, é igual à do seu antecessor, que em 2011
rasgou o acordo de concertação social assinado em 2006 e não actualizou o
salário mínimo para os 500 euros, tal como tinha ficado assinado. Esta
"competitividade" é feita de exploração do trabalho, de salários de miséria, de uns subsidiozitos,
de favores fiscais, da ruptura financeira da Segurança Social e do desmantelamento dos serviços
públicos para os quais tanta competitividade faz questão em contribuir o menos
possível, é feita da destruição do país causada por tanta ganância. Ai querem pôr
os avôs e as avós de todo o país a
trabalhar mais um ano? Ó pá, a gente diz que
sim, mas vocês têm que nos dar qualquer coisita. E o pior é que
dão mesmo.
O Governo acaba de anunciar o aumento da idade mínima para a aposentação dos 65 para os 66 anos. Com uma taxa de desemprego jovem acima dos 40%. Com a geração mais qualificada de sempre a emigrar em massa. Com a taxa de natalidade em mínimos históricos. Para equilibrar uma Segurança Social que assim se desiquilibra cada vez mais, todos os dias.