terça-feira, 22 de outubro de 2013

Quase sócios


Quando era primeiro-ministro, José Sócrates convidou Pedro Passos Coelho duas ou três vezes para entrar no seu último Governo, segundo revelou o engenheiro em entrevista à TSF nesta terça-feira. Não surpreende. O que realmente surpreende é que dois partidos tão iguais ainda não se tenham coligado para ajustarem de vez as contas com o 25de Abril. Fica para uma próxima, com responsabilidade, sentido de Estado e porque tem que ser. Já faltou mais. Afinal, Sócrates e Passos Coelho foram sócios na assinatura do memorando da nossa salvação.
 
Vagamente relacionado: Fernando Ulrich defende que os socialistas se devem afirmar como uma força da oposição em vez de serem um PS amigo e consensual que abra a porta ao crescimento eleitoral do PCP e do Bloco de Esquerda, acrescentando ser para si indiferente o que venha a seguir à troika desde que o país siga o seu caminho. Para Fernando Ulrich, o importante é que o PS esteja forte.

Ainda mais vagamente: Pedro Passos Coelho negou ter sido convidado por José Sócrates para ser vice-primeiro-ministro, já na qualidade de líder do PSD, de um governo liderado pelo ex-primeiro-ministro, mas recusou pronunciar-se sobre o convite divulgado por Sócrates para fazer uma coligação com o PS, então no Governo. Com esta declaração, na Sexta-feira seguinte, Passos Coelho optou por não se pronunciar sobre a questão essencial, que é saber se foi ou não convidado para fazer uma aliança governamental com o ex-primeiro ministro, refugiando-se num detalhe formal, o título do cargo.

Contas de sumir


 
 
Salário 2013 (7h)
Salário 2013 (8h)
Salário 2014 (8h)
Corte real (€)
Corte real (%)
 
 
620,00 €
708,57 €
603,66 €
-104,91 €
-17,4%
 
 
800,00 €
914,29 €
769,14 €
-145,15 €
-18,9%
 
 
1.000,00 €
1.142,86 €
947,86 €
-195,00 €
-20,6%
 
 
1.500,00 €
1.714,29 €
1.370,79 €
-343,50 €
-25,1%
 
 
2.000,00 €
2.285,71 €
1.760,00 €
-525,71 €
-29,9%
 
 
3.000,00 €
3.428,57 €
2.640,00 €
-788,57 €
-29,9%
 
 
4.000,00 €
4.571,43 €
3.520,00 €
-1.051,43 €
-29,9%

 

 As notícias sobre cortes sucedem-se, com nome de “poupanças” e com a notícia seguinte a fazer esquecer a anterior. Recapitulemos, portanto. Primeiro, foi o aumento do horário semanal de trabalho na Administração Pública das 35 para as 40 horas sem o correspondente acréscimo remuneratório. Depois, o anúncio de cortes salariais entre 2,5 e 12%, mas calculados sobre uma remuneração que não aumentou e deveria ter aumentado: o valor de 8 meses de prestação do crédito à habitação não se reduziu para o valor de 7 prestações  e 8 litros de leite não passaram a custar o que antes custavam 7. Esses cálculos vêm ilustrados na tabela junta. Na segunda coluna vêm indicados os valores que deveriam estar a ser pagos depois de aumentada a jornada de trabalho das 7 para as 8 horas. Na terceira coluna vêm os valores dos cortes salariais anunciados apesar de aumentada a semana de trabalho das 35 para as 40 horas calculados recorrendo à ferramenta disponibilizada aqui. E nas quarta e quinta colunas vêm os valores dos cortes reais em termos absolutos e em variação percentual. Não incluem o aumento nos descontos para a ADSE, nem qualquer aumento de impostos, nem a desvalorização real decorrente da inflação. Também não consideram a revisão da tabela salarial que vem prevista no OE 2014, embora ainda sem qualquer quantificação. O Governo incluiu a sua menção apenas para avisar que os cortes não se vão ficar por aqui.