domingo, 20 de outubro de 2013

Sobre a "independência" de todas as virtudes


O presidente eleito para a Câmara Municipal do Porto, o independente Rui Moreira, e o socialista Manuel Pizarro fecharam na noite de sábado um acordo pós-eleitoral que atribui pelouros a vereadores eleitos pelo PS, garantindo um exercício de mandato com maioria absoluta. Bem sei que a memória costuma ser curta, mas aqui fica a lição para todos aqueles que tanto se entusiasmam com as candidaturas ditas independentes ao ponto de se baterem para que essa possibilidade seja alargada também a eleições legislativas. O fim de mais esta independência bombástica terminou pelo calendário da conveniência.

Entre compreender e apoiar


O líder do Partido Socialista disse ontem em Torres Vedras que compreende a manifestação da CGTP, onde fez questão de não comparecer: "é um direito. Compreendo as razões para os portugueses expressarem a sua indignação perante tantas medidas de austeridade". António José seguro "compreende" e sente necessidade de justificar a sua compreensão no direito de manifestação consagrado na Constituição. Por isso "compreende". E de compreender a apoiar vai uma distância pelo menos igual à que vai da Ponte 25 de Abril a Torres Vedras. Sobre o OE 2014, nem uma crítica. Quase uma semana depois, António José Seguro continua a não arriscar qualquer julgamento político que possa comprometê-lo no futuro. A Grécia começa a viver o inferno do terceiro resgate. Portugal caminha para o do segundo.

Vagamente relacionado: O Ministério Público anunciou nesta segunda-feira que arquivou o inquérito aberto na sequência de uma participação do Partido Socialista que, em Julho passado, denunciou ter “fundadas dúvidas sobre a possibilidade de intercepção ilegal das suas comunicações telefónicas, internet e/ou outros meios tecnológicos”. Como produtor de conteúdos de entretenimento, não há pai para este PS.

O absurdo que se segue


No México, ladeado por Passos  Coelho e Rui Machete, o Presidente da República, Cavaco Silva, afirmou na noite de sábado que só decidirá sobre um eventual pedido de fiscalização preventiva da constitucionalidade do Orçamento do Estado depois de avaliar os custos de possíveis chumbos de algumas das suas normas pelo Tribunal Constitucional. Tem sido assim nos últimos anos, explicou o chefe de Estado, e este também não será excepção. Pois tem, tem sido assim. Cavaco desta vez não mentiu.  Tem sido assim e tem dado sempre asneira. Uma breve compilação da série de absurdos presidenciais pode ser lida aqui. O OE 2014 é tão bom ou tão mau que o país só teria a ganhar se funcionasse em duodécimos durante o ano inteiro.