Maria
Luís Albuquerque diz que o seu Governo tem um programa de rescisões amigáveis
para assistentes operacionais e para assistentes técnicos, diz que o seu Governo
está a preparar um programa de rescisões amigáveis para professores e que agora irá pensar num programa de rescisões
amigáveis para outras categorias profissionais mais qualificadas, referindo-se especificamente
aos técnicos superiores, embora deixando no ar um objectivo mais vasto: um programa
de rescisões amigáveis para médicos, um programa de rescisões amigáveis para enfermeiros,
um programa de rescisões amigáveis para militares, um programa de rescisões amigáveis para investigadores e professores universitários, outro ainda para juízes, em especial
para os do Tribunal Constitucional. Está toda a gente a mais. Menos eles próprios. Por isso,
ao contrário dos restantes, o plano de rescisão que os imprescindíveis vão “desenhando”para
si próprios tem cada vez menos de “amigável”. As luminárias estão a descuidar-se. Porque hão-de
sair. A bem ou a mal. Ainda vão a tempo de poderem escolher.
Vagamente relacionado:
o banco BIC, que comprou o BPN por 40 milhões de euros depois do Governo lhe injectar
um valor (600 milhões) equivalente aos cortes salariais que reservou para toda a Administração Pública em 2014 (640
milhões), usou o dinheiro do próprio BPN para realizar a transacção? Ler aqui.
Ainda mais vagamente: Segundo um
documento do IGCP – Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública,
baseado em dados da Comissão Europeia, nos últimos cinco anos o ritmo de quebra
do consumo privado em Portugal foi quase o dobro da contracção do resto da
economia. Desde 2007, o consumo das famílias caiu 9,1% de forma acumulada,
contra uma queda do PIB de 5,7%. A economia portuguesa viu ‘evaporarem-se’
neste período cerca de 15 mil milhões de euros em consumo privado. Estes
valores contrastam com os dos restantes países intervencionados pela troika. Na
Irlanda e Grécia, a queda do consumo e do PIB seguiu ao mesmo ritmo, e em
Espanha os gastos reduziram-se ligeiramente acima do produto. Itália, apesar de
não resgatada, também entra na comparação: o
consumo caiu abaixo da economia.


