Em resposta a Mário Soares, que na
Terça-feira constatou que todos roubaram no BPN sem que ninguém tenha sido julgado,
incluindo Cavaco Silva, o ex-accionista da SLN, ex-dona do BPN, veio hoje dizer
que a única relação que teve com o BPN ou as suas empresas foi enquantodepositante para aplicação de poupanças quando era professor universitário. Mentira.
Pior ainda, toda a gente sabe que é mentira. Uma mentira e um roubo, porventura o maior em tempo de democracia, que, como recordou e muito bem Mário Soares, continuam por julgar.
Segundo o Expresso de 30 de Maio de 2009,
Cavaco Silva obteve em 2003 mais-valias de 147.500 euros com a venda de acções
da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), que tinha comprado em 2001. Por mera
coincidência, a sua filha, que também era accionista, vendeu as acções na mesma
altura, obtendo ganhos de 209.400 euros. Questionado sobre a notícia, Cavaco
limitou-se a remeter o semanário para um comunicado que fez sair em Novembro do
ano anterior, no qual rejeitava quaisquer ligações ao BPN, controlado pela SLN,
por cuja administração passaram vários membros dos seus governos, um dos quais lhe
vendeu as acções para meses mais tarde lhas comprar com prejuízo para o BPN. A soma
destes prejuízos produziu o buraco gigantesco que todos os portugueses estamos agora
a pagar.
A 13 de Abril
de 2011, respondendo a perguntas dos juízes do julgamento no caso do Banco
Português de Negócios (BPN), Paulo Jorge Silva, inspector fiscal que colaborou
com a Polícia Judiciária no âmbito deste caso e que é testemunha do Ministério
Público, disse “não ter explicação” para o facto de o principal arguido, José
Oliveira Costa, ter perdido 1,10 euros em cada acção que vendeu a Aníbal Cavaco
Silva e à filha do actual Presidente da República, Patrícia Cavaco Silva
Montez.
E a explicação continua a ser mais do que óbvia. O chefe de qualquer quadrilha
tem sempre direito ao seu quinhão sobre os proveitos da actividade do gang. Um gang que capturou a democracia. Um gang com poder de legislar a preceito para neutralizar a Justiça. Um gang que prega o sacrifício como redenção solidária de abusos que só eles cometeram. Um gang muito perigoso que condenou o seu povo à miséria. Um gang que não respeita - e ousa desobedecer - as decisões do Tribunal Constitucional. Um gang que tem que ser julgado para satisfazer o requisito mínimo de exigência de qualquer democracia que se respeite.
(Foto via Daniel Oliveira)


