Já lá vai o tempo em que o Nobel da
paz tinha por função abrir horizontes de esperança aos desesperados dando visibilidade
e reconhecimento às suas causas. Depois de, no ano passado, o prémio ter sido atribuído
à União Europeia, o laureado deste ano é uma organização, a
Organização para a Proibição das Armas Químicas, que integra todos os países que ratificaram a
Convenção de 1993. De fora ficaram nomes e causas incómodas como os de Malala
Yousafzai e a sua luta pela alfabetização das mulheres no mundo árabe, o de Bradley
Manning e a sua condenação a 35 anos de prisão pelo contributo decisivo que deu
para a retirada das tropas norte-americanas
do Iraque ou o do ginecologista Denis Mukwege e a causa das mulheres violadas em
África e culpadas pela sua própria violação. Com tanta falta de coragem do Comité
Nobel, podemos dar-nos por satisfeitos por não se terem decidido por Vladimir Putin.
O nome do mafioso ditador russo figurava entre os candidatos deste ano.

