O Governo criou novos
certificados de aforro com subscrição mínima de 1000 euros com taxas
garantidas antes de impostos (28%) de 2,75% no primeiro ano, 3,75% no segundo,
4,75% no terceiro e 5% no quarto e no quinto ano, oferecendo ainda um prémio de
80% sobre a taxa de crescimento do PIB que possa eventualmente verificar-se
nestes dois últimos anos. Em qualquer dos casos, as remunerações oferecidas estão
bem acima dos menos de 2% actualmente oferecidos pela banca para depósitos de
prazo inferior a um ano, diferença que ilustra bem a fortuna que bancos ganharam
e, simultaneamente, u tanto que contribuintes e aforradores perderam. Em
Janeiro de 2008, critiquei o
favor que o Governo de José Sócrates fez ao sector financeiro quando reduziu drasticamente os juros dos
certificados de aforro. Passados quase seis anos, manda-me a coerência que
saúde a medida hoje anunciada, embora assinalando a demora que rendeu e custou tantos
milhões e apesar de reparar que o produto anunciado não é exactamente o mesmo: os
certificados de aforro tinham um mínimo de subscrição bastante inferior. Falta estender
as mesmas condições aos pequenos aforradores. Agora é esperar para ver como
reagem os aforradores a um produto oferecido por um Estado que não se comporta
como pessoa de bem para depois contabilizar as poupanças, que desta vez não são
cortes nem roubos e, como tal, não levam aspas. É preciso cuidado com “as poupanças”.
O termo poupança tem conhecido novos significados desde que se instalou nas bocas
dos amigos do alheio.
Pouco depois: O
Governo aprovou nesta quinta-feira a
alienação de 70% dos CTT, incluindo a autorização para criar um banco postal
que terá o exclusivo da venda de certificados de aforro, ficando os restantes
30% nas mãos do Estado. Nada acontece por acaso, como se constata mais uma vez.
E logo a seguir: Apesar de só ter aprovado nesta quinta-feira a venda até 70% do capital dos CTT, o Governo pretende desfazer-se da totalidade da empresa (que o Estado hoje detém a 100%) a “médio prazo”, disse fonte próxima do processo
E logo a seguir: Apesar de só ter aprovado nesta quinta-feira a venda até 70% do capital dos CTT, o Governo pretende desfazer-se da totalidade da empresa (que o Estado hoje detém a 100%) a “médio prazo”, disse fonte próxima do processo
