Com a habitual pompa e
circunstância, Paulo Portas e uma ajudante acabam de anunciar o resultado não
de uma, de duas
avaliações regulares dos programas de destruição do país acordados com a
troika. Tal como em todas as anteriores, a avaliação foi positiva, apesar das
derrapagens orçamentais e do cataclismo económico e social que produziram. Tal
como em todas as anteriores, o simulacro de negociação do tecto para o défice
acabou numa imposição prontamente aceite pelo Governo português de uma sua
redução dos 5,5%, que continuam a
vigorar para 2013 apesar dos 7,1% verificados no primeiro semestre, para 4%.
Nada de detalhar demasiado
os cortes brutais – agora rebaptizados de "poupanças" – que têm em mente
para obedecerem à imposição dos 4% de défice. Isso não é para agora. Para hoje, Paulo Portas e Maria
Aldrabice Albuquerque reservaram uma coisa muito mais gira: chutaram para o ar
uma nova previsão: agora vamos crescer mais 0,2% (0,8%) do que na anterior
previsão (0,6%) e o desemprego será 0,7%
menor do que anteriormente previsto, caindo para uns fantásticos 17,7%.
E toda esta recuperação graças
aos "visíveis sinais de melhoria do clima económico no segundo e, mesmo,
no terceiro trimestre" das palavras de Paulo Portas, que não agradeceu ao
Tribunal Constitucional os chumbos que, ao atenuarem a austeridade, puseram o Governo
a cantar vitória e a dizer que foram as exportações, o turismo e o seu rigor e que
vamos regressar aos mercados, embora, detalhe sem importância, os juros estejam
como estavam antes deste disparate começar, acima dos 7%. A nossa credibilidade
aumentou imenso. Já aumentou pelo menos nove vezes. Hoje foram mais duas, a oitava
e a nona avaliação. Qual delas terá sido a melhor? Nem isso disseram. A troika auto-avaliou-se. E foi tudo.
No dia seguinte,
na AR: O primeiro-ministro não foi muito claro, mas avisou que “as
medidas [de austeridade] terão que se manter durante muito tempo” se o país se
quiser “manter dentro do euro e cumprir a disciplina orçamental” a que está
obrigado.
Na Segunda-feira seguinte: “Grécia abandona recessão com crescimento de 0,6% em 2014. O país deverá fechar o próximo ano com um excedente orçamental primário (sem os custos do serviço da dívida) de 1,6% do produto interno bruto, segundo a proposta de Orçamento de Estado para2014.”
A mesma brincadeira das previsões. Portugal não era a Grécia.
Na Segunda-feira seguinte: “Grécia abandona recessão com crescimento de 0,6% em 2014. O país deverá fechar o próximo ano com um excedente orçamental primário (sem os custos do serviço da dívida) de 1,6% do produto interno bruto, segundo a proposta de Orçamento de Estado para
