segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Lá está o PR outra vez a fazer figura de Aníbal

Ao fim dos seis primeiros meses do ano, o défice orçamental medido em contabilidade nacional, na óptica reportada a Bruxelas, atingiu 7,1% do Produto Interno Bruto (PIB). No mesmo dia, numa entrevista que deu a um jornal sueco, em que reafirma a necessidade de prosseguir com a austeridade que não corrigiu o valor do défice mas destruiu a economia do país, Cavaco Silva diz não haver razões lógicas para a escalada dos juros da dívida portuguesa nos mercados de obrigações. Os suecos ficaram a saber que Portugal tem um Presidente que não vê um palmo à frente do nariz. Safa! Espero sinceramente que guardem segredo e não digam nada aos mercados. Caso contrário, temos um segundo resgate em vez dum coiso cautelar e então é que estamos mesmo tramados.

Vagamente relacionado: Tendo em conta os últimos dados do Eurostat, que dão conta de 878 mil desempregados em Portugal durante o mês de Julho, conclui-se que a protecção no desemprego apenas chega a 44% das pessoas sem trabalho, deixando sem apoio mais de metade. O valor médio das prestações de desemprego foi, no final de Agosto, de 481,94 euros. Trata-se de uma redução de 0,5% face a Julho e de 4% em relação ao ano passado.

Ainda mais vagamente: O número de beneficiários do Rendimento Social de Inserção voltou a cair em Agosto, existindo agora pouco mais de 265300 pessoas a receber esta prestação. segundo o Instituto da Segurança Social, há menos quatro mil pessoas a receberem este rendimento do que em Julho e menos 30 mil que em Agosto de 2012.

Um pouco mais ainda: Perto de 1.500 crianças e jovens perderam o direito ao abono de família entre Julho e Agosto. Os dados do ISS indicam também que 2.412 beneficiários do subsídio por educação especial, destinado a crianças e jovens com deficiência com idade inferior a 24 anos, perderam esta prestação social no mês passado.
Nada a ver com: A Lei 69/2013, de 30 de Agosto é já a quinta alteração ao Código do Trabalho e vem dar cumprimento a uma promessa do memorando de entendimento, que previa que as indemnizações por despedimento baixassem para os 12 dias de salário por cada ano de antiguidade. o resultado é uma intrincada teia de fórmulas que dificulta ao trabalhador perceber quanto receberá se for abrangido por um processo de despedimento colectivo, por um despedimento por extinção de posto de trabalho ou se vir o seu contrato a termo caducar.
E ainda menos com: Nunca houve um valor de abstenção tão elevado numas autárquicas: este ano, 47,4% dos eleitores inscritos não votaram. Os votos nulos e brancos atingiram também valores recorde, passando para o dobro dos valores registados nas últimas eleições. Contaram-se quase 190 mil votos brancos (3,87%) e 145 mil votos nulos (2,95%).

E o Bloco de Esquerda?


Ao contrário do que disse João Semedo ontem à noite, a derrota do PSD não é vitória nenhuma do Bloco de Esquerda. Também não o é do MRPP, ou do PAN, ou do PTP. Foi uma vitória de todos os partidos que conseguiram aumentar o número de Câmaras, de vereadores, de votos. E o Bloco perdeu em toda a linha. Talvez não fosse má ideia reflectir sobre tudo o que está a acontecer ao partido, que todos vemos a agonizar numa morte lenta. Que esquisitices como a liderança bicéfala, ainda por cima esta liderança bicéfala, foi um tiro no pé. Que o realejo das causas fracturantes a tocar em automático não convence ninguém. Que o discurso contra-cultura apenas afasta eleitores. Que mais vale não apresentar listas em certas autarquias do que apresentar listas que integram pessoas com as quais a maioria dos portugueses se envergonharia de se sentar no café. Que a falta de militantes com qualidade para integrarem listas, e há militantes com méritos reconhecidos que ficaram de fora, não se compensa com alianças com independentes das quais o partido não retira qualquer vantagem. Que uma política de comunicação em que todos falam e em que tudo é assunto, sem estratégia e sem hierarquia de causas, não dá nem pode dar bom resultado. Referi atrás que talvez fosse boa ideia reflectir sobre tudo isto. Disse talvez porque não sei se não será tarde demais. Algures ali por volta de 2009, reconhecia-se no Bloco de Esquerda um partido com um projecto para o nosso país. Desde então, foi sempre a perder. O Bloco é hoje mais um projecto de partido  do nosso país. É pena.