Reagindo à decisão do TC, que
declarou inconstitucionais algumas das novas normas do Código de Trabalho
relacionadas com o despedimento por extinção do posto de trabalho e por
inadaptação e a prevalência do Código do Trabalho sobre as convenções colectivas, Carlos Silva considerou que "aquilo que foi decidido pelo
Tribunal Constitucional vem ao encontro da satisfação de muitos trabalhadores e
a UGT hoje, um ano e meio depois do acordo de concertação social assinado em
2012, reconhece como satisfatória a decisão tomada". Confesso que quando
soube da notícia fiquei curioso sobre qual seria a reacção da UGT. Quando ouvi
Carlos Silva, sorri com a habilidade que utilizou para dizer que a decisão
"vem ao encontro da satisfação de muitos trabalhadores" em vez do
pedido de desculpa que se impunha a uma central sindical que dá o seu acordo e
se põe ao lado do Governo para juntos aprovarem legislação inconstitucional
contra os trabalhadores seus representados.
Recordemo-lo, quem assinou o
acordo em nome da UGT, João Proença de sua graça, é hoje dirigente do Partido
Socialista, um partido muito "de esquerda" mas que votou ao lado de
PSD e CDS na aprovação das mesmas inconstitucionalidades. Contudo, ao contrário
de um Carlos Silva que reconhece como satisfatória a decisão do TC para evitar congratular-se
com uma decisão que expõe mais uma das inúmeras traições da central sindicalque dirige, o Partido Socialista remeteu-se ao silêncio e não reagiu à decisão
que o expõe pelos mesmos motivos.
há dias, João Semedo defendeu que “um governo
de esquerda é um governo com políticas de esquerda, com consensos de esquerda,
contra a austeridade e não com consensos à António José Seguro, com a direita e
a troika”. Estas palavras, tal como o apelo que dirigiu ao eleitorado
socialista, que pensem sobre o que António José Seguro e o
PS farão com os votos que lhes confiarem, ganham redobrado
sentido depois do chumbo hoje conhecido.
Bem sabemos como a reacção habitual da claque socialista a este tipo de
constatações costuma ser aquele "não ganham nada em atirar-se ao PS em vez
de se atirarem à direita". O problema é precisamente esse, o PS faz falta
enquanto partido de esquerda e não como uma cópia da direita, à semelhança do que
acontece com os seus congéneres por essa Europa fora. Aí não faz falta nenhuma.
Para além do tema ser política e não futebol, a claque socialista é que não
ganha nada em calar-se quando o seu PS se porta mal. Os aplausos e os silêncios
nunca operam mudanças. É olhar para a Grécia e para o PASOK, actualmente no
Governo de coligação com a Nova Democracia. Se o que pretenderem for um
Governo de "salvação nacional" PSD-PS, e já faltou menos, fazem muito bem em não cobrar
os sucessivos deslizes que nunca lhes mereceram sequer um reparo. Nesse caso,
já cá não está quem falou.
Entretanto: «PS
saúda TC por ter chumbado algumas alterações ao Código do Trabalho. Espera… mas
só nove deputados do PS é que votaram contra as alterações. Quanta hipocrisia!
Continuem a gozar com a nossa miséria por um punhado de votos!
Olhos nos olhos repito aos que administram os
seus interesses sob a sigla PS repito o que lhes disse Francisco Lopes na
Assembleia da República:
O PS votou a
favor da redução do direito de descanso compensatório e da diminuição para
metade do pagamento do trabalho suplementar e do trabalho realizado nos dias de
descanso semanal e nos feriados.
O PS votou a favor da precariedade com a
facilitação do contrato de trabalho de muito curta duração.
O PS votou a favor do despedimento por
inadaptação e da redução das indemnizações por despedimento.
O PS votou a favor da facilitação do banco de
horas grupal.
O PS votou a favor do roubo de três dias de
férias e do ataque à contratação coletiva.
Para quem fala em rutura, isto significa a
continuação da rutura com os trabalhadores e com os seus direitos!» - Tiago Mota
Saraiva, no 5 Dias.

