Também a mim, que não sou
católico nem sequer religioso, me agradaria ter lido na badaladíssima
última entrevista do Papa Francisco sinais da tal reviravolta na Igreja
Católica vaticinada por todos aqueles cuja missão que Deus os colocou a
desenvolver na Terra foi a de elogiar o PAPA, este ou qualquer outro, digam o
que disserem, isto ou o seu contrário. O mundo é como é, existe muita gente que
pensa como os mandarem dizer que pensam e é a Igreja Católica a proprietária
destas consciências sem autonomia. Nesta medida, seria de toda a utilidade para
o mundo inclusivo que defendo que o Papa tivesse dito o que não disse: que a
Igreja Católica deixou ou deixará de considerar a homossexualidade um
comportamento desviante e doentio e o aborto uma prática condenável. Ora o que
o Papa disse, e tive oportunidade de ler largas passagens da tal entrevista que
o próprio revisou com todo o cuidado antes de ser publicada, é que admite abrir
as portas da Igreja a homossexuais e mulheres que tenham abortado para que
estes possam alcançar a misericórdia divina e reencontrar-se com Deus. Não sei quem
é que lhe disse que homossexuais e mulheres que tenham exercido o seu direito a
interromperem voluntariamente uma gravidez buscam na Igreja o perdão por serem como
são ou pelas escolhas que fazem para as suas vidas. Francisco fez o que sabe fazer
melhor, auto-promover-se à sombra de todos aqueles que se entusiasmam com o que
nunca terá a coragem de dizer. Por exemplo, que a discriminação de homossexuais
e que a condenação não apenas do aborto, também da contracepção, são anacronismos
dos quais a Igreja não abdica. O que mudou na ICAR pela mão de Francisco não foi
nada disto. Francisco trouxe aos católicos o chinfrim e o folclore que tantos
fiéis têm desviado para a concorrência. A Igreja Católica está mais evangélica.
Apenas isto. O resto, se é que alguma vez acontecerá, até que o diga preto no branco, ficará para um sucessor com
uma alma bastante maior do que a do colaborador do ditador Videla.
