As Edições Antipáticas são uma das vítimas dos abusos das Livrarias Bulhosa. Esgotada a paciência e com
a sobrevivência posta em risco pelos calotes da Bulhosa, criaram um site com O
objectivo de os denunciar publicamente. Agradecem-se todas as partilhas e todos
os links para http://livrariasbulhosa.com/http://livrariasbulhosa.com/. Cada partilha e cada link faz o
"A Bulhosa
vai pagar" subir nos motores de busca. Seria óptimo que aparecesse em primeiro
lugar nas pesquisas pelo string "Bulhosa".
Não apenas para as Edições Antipáticas. Também para todos os pequenos empresários
e sobretudo para todos nós que vivemos do nosso salário. Estamos a ser engolidos
pelos grandes interesses instalados. Temos que fazer alguma coisa para acabar-lhes
a festa.
«Deve ser isto
a crise. Direitos que são considerados privilégios e privilégios que são
considerados direitos. A polícia que dispara e espanca e persegue e é chamada
para garantir que a violação da lei decorre com toda a tranquilidade.
Trabalhadores assalariados que trabalham sem receber o seu salário. Livrarias
geridas por pessoas que nunca leram um livro.
Nada o ilustra
como o caso da Bulhosa Livreiros – Sociedade Comércio Livreiro S.A., que
despede quem denuncia os salários em atraso dos seus trabalhadores e contrata
estagiários e reformados para os substituir. Desde o início de 2013 que o
calote se agravou, estando neste momento por pagar vários meses de salário e
largas centenas de euros em dívidas a pequenos editores. As Edições Antipáticas
(uma editora sem fins lucrativos) pertencem a este segundo grupo, sendo-lhes
devidos há mais de 16 meses os valores referentes à venda de 50 livros (mais de
400€), que a Bulhosa se recusa pagar invocando os mais variados pretextos. As
Edições Antipáticas iniciaram a sua actividade em 2005 e reinvestem as suas
receitas em novas edições, tendo publicado desde então seis livros e vários
opúsculos, na sua quase totalidade textos inéditos em português, que podem ser
encontrados em diferentes livrarias de Lisboa e Porto e gratuitamente na
Internet (edicoesantipaticas.tumblr.com).
Não seremos
certamente a única editora a quem a Bulhosa deve dinheiro e a quem os seus
administradores tentaram enganar e ludibriar, mas teremos porventura sido os
primeiros a quem se esgotou a paciência. Dirigimo-nos à livraria de Campo de
Ourique no passado mês de Junho, com o objectivo de fazer a Bulhosa pagar o que
deve. Conhecedores do processo de luta na empresa, procurámos nos trabalhadores
ali presentes a cumplicidade de quem partilha uma situação comum. Foi explicado
por que motivo se estava ali, o que se estava disposto a fazer e a quem se apontavam
responsabilidades. Não faltaram motivos para nos entendermos sobre o que estava
em questão, mas a resolução do problema não estava nas suas mãos.
Foram duas
horas bem passadas até à hora de fecho, com a livraria estancada e direito a
visita de algumas chefias – que acabaram por se deslocar à loja após terem
garantido ser impossível deslocar-se à loja – bem como um longo telefonema do
administrador Pedro Gil Mata, a partir do Porto. Todos (menos os dois
trabalhadores de loja) se esforçaram por nos garantir que estava tudo bem e que
a vida é feita de mal entendidos. O escândalo terminou com a entrada em cena de
três agentes da PSP chamados pela Bulhosa para garantir o fecho da loja. Um dos
agentes, após a lógica violenta das declarações mútuas, acabou por perguntar:
“Mas por que não pagam o que devem a estes senhores.
O que tem
valido às Bulhosas de todo o tipo e aos passarões que as gerem é que as nossas
ideias, as nossas melhores e mais ambiciosas ideias, tardam em sair do papel.
De que nos vale o pensamento político traduzido e editado em livros bonitos e
baratos (discutidos publicamente e disponibilizados na Internet) quando o que
nos falta é um lança-chamas para incendiar as Bulhosas todas deste mundo ou um
helicóptero para perseguir a administração e suas contas bancárias? A nossa
força será tanto maior se associada à dos trabalhadores que têm salários em
atraso e dos pequenos editores que têm dinheiro a haver. Hoje somos editores a
quem não pagam, amanhã seremos trabalhadores que não recebem o seu salário e
nos dias seguintes todo e qualquer um que se confronte com quem nos rouba a
vida e o futuro. O que está em dívida é mais do que o dinheiro e a Bulhosa irá
pagar.
Para começar,
propomos ocupar a Bulhosa Entrecampos para um debate público no dia 27 de
Setembro, pelas 18h00. Convidamos todos e todas para uma conversa com o título
“A propriedade é um roubo…” onde todas as participações são bem-vindas.» (continua)
«A
administração da Bulhosa Livreiros suspendeu hoje de manhã Rui Roque, o
trabalhador que surgiu, na reportagem da SIC, a denunciar a atual situação de
salários em atraso na empresa, no âmbito da ação de protesto que decorreu
durante a abertura da Feira do Livro de Lisboa. “Hoje a administração decidiu
suspender-me porque acha que não reúno condições para trabalhar na empresa”,
contou ao Expresso Rui Roque.» (continua)