quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Jardim diz que Maduro faz uns trabalhinhos


Jardim, ao ser abordado por dois cidadãos no decurso de uma visita a uma obra de canalização de uma ribeira, no Curral das Freiras, realizada na quarta-feira, recomendou-lhes: “Falem com os comunas da televisão, que eles põem tudo. Puseram um vigarista à frente daquilo. Isso é para resolver a seguir com o Maduro: Tudo para o olho da rua”. Momentos depois, o governante madeirense acusou os jornalistas da RDP e da RTP ali em reportagem, de não estarem a ser isentos na cobertura das eleições. “Alguém mandou, vão sofrer todos as consequências”, ameaçou. O império laranja às vezes confessa-se. Isto não pode ficar assim. O 25 de Abril não se fez para isto. Jardim disse que Maduro faz uns trabalhinhos nada compatíveis com os valores da democracia. E Jardim é um governante, o que diz tem que ser levado a sério. Ou então demitam-no, internem-no, façam o que quiserem. Governante e dizer e fazer o que lhe apetece é que não pode ser.

A Bulhosa vai pagar


As Edições Antipáticas são uma das vítimas dos abusos das  Livrarias Bulhosa. Esgotada a paciência e com a sobrevivência posta em risco pelos calotes da Bulhosa, criaram um site com O objectivo de os denunciar publicamente. Agradecem-se todas as partilhas e todos  os links para http://livrariasbulhosa.com/http://livrariasbulhosa.com/. Cada partilha e cada link faz o "A Bulhosa vai pagar" subir nos motores de busca. Seria óptimo que aparecesse em primeiro lugar nas pesquisas pelo string "Bulhosa". Não apenas para as Edições Antipáticas. Também para todos os pequenos empresários e sobretudo para todos nós que vivemos do nosso salário. Estamos a ser engolidos pelos grandes interesses instalados. Temos que fazer alguma coisa para acabar-lhes a festa.

«Deve ser isto a crise. Direitos que são considerados privilégios e privilégios que são considerados direitos. A polícia que dispara e espanca e persegue e é chamada para garantir que a violação da lei decorre com toda a tranquilidade. Trabalhadores assalariados que trabalham sem receber o seu salário. Livrarias geridas por pessoas que nunca leram um livro.

Nada o ilustra como o caso da Bulhosa Livreiros – Sociedade Comércio Livreiro S.A., que despede quem denuncia os salários em atraso dos seus trabalhadores e contrata estagiários e reformados para os substituir. Desde o início de 2013 que o calote se agravou, estando neste momento por pagar vários meses de salário e largas centenas de euros em dívidas a pequenos editores. As Edições Antipáticas (uma editora sem fins lucrativos) pertencem a este segundo grupo, sendo-lhes devidos há mais de 16 meses os valores referentes à venda de 50 livros (mais de 400€), que a Bulhosa se recusa pagar invocando os mais variados pretextos. As Edições Antipáticas iniciaram a sua actividade em 2005 e reinvestem as suas receitas em novas edições, tendo publicado desde então seis livros e vários opúsculos, na sua quase totalidade textos inéditos em português, que podem ser encontrados em diferentes livrarias de Lisboa e Porto e gratuitamente na Internet (edicoesantipaticas.tumblr.com).

Não seremos certamente a única editora a quem a Bulhosa deve dinheiro e a quem os seus administradores tentaram enganar e ludibriar, mas teremos porventura sido os primeiros a quem se esgotou a paciência. Dirigimo-nos à livraria de Campo de Ourique no passado mês de Junho, com o objectivo de fazer a Bulhosa pagar o que deve. Conhecedores do processo de luta na empresa, procurámos nos trabalhadores ali presentes a cumplicidade de quem partilha uma situação comum. Foi explicado por que motivo se estava ali, o que se estava disposto a fazer e a quem se apontavam responsabilidades. Não faltaram motivos para nos entendermos sobre o que estava em questão, mas a resolução do problema não estava nas suas mãos.

Foram duas horas bem passadas até à hora de fecho, com a livraria estancada e direito a visita de algumas chefias – que acabaram por se deslocar à loja após terem garantido ser impossível deslocar-se à loja – bem como um longo telefonema do administrador Pedro Gil Mata, a partir do Porto. Todos (menos os dois trabalhadores de loja) se esforçaram por nos garantir que estava tudo bem e que a vida é feita de mal entendidos. O escândalo terminou com a entrada em cena de três agentes da PSP chamados pela Bulhosa para garantir o fecho da loja. Um dos agentes, após a lógica violenta das declarações mútuas, acabou por perguntar: “Mas por que não pagam o que devem a estes senhores.

O que tem valido às Bulhosas de todo o tipo e aos passarões que as gerem é que as nossas ideias, as nossas melhores e mais ambiciosas ideias, tardam em sair do papel. De que nos vale o pensamento político traduzido e editado em livros bonitos e baratos (discutidos publicamente e disponibilizados na Internet) quando o que nos falta é um lança-chamas para incendiar as Bulhosas todas deste mundo ou um helicóptero para perseguir a administração e suas contas bancárias? A nossa força será tanto maior se associada à dos trabalhadores que têm salários em atraso e dos pequenos editores que têm dinheiro a haver. Hoje somos editores a quem não pagam, amanhã seremos trabalhadores que não recebem o seu salário e nos dias seguintes todo e qualquer um que se confronte com quem nos rouba a vida e o futuro. O que está em dívida é mais do que o dinheiro e a Bulhosa irá pagar.

Para começar, propomos ocupar a Bulhosa Entrecampos para um debate público no dia 27 de Setembro, pelas 18h00. Convidamos todos e todas para uma conversa com o título “A propriedade é um roubo…” onde todas as participações são bem-vindas.» (continua)


«A administração da Bulhosa Livreiros suspendeu hoje de manhã Rui Roque, o trabalhador que surgiu, na reportagem da SIC, a denunciar a atual situação de salários em atraso na empresa, no âmbito da ação de protesto que decorreu durante a abertura da Feira do Livro de Lisboa. “Hoje a administração decidiu suspender-me porque acha que não reúno condições para trabalhar na empresa”, contou ao Expresso Rui Roque.» (continua)

Eles são tão diferentes, pá!


Numa acção de campanha em Fafe, ontem, o secretário-geral do PS lembrou-se de acusar o primeiro-ministro de revelar "enorme insensibilidade" e de estar "obcecado" pelos mercados ao criticar os socialistas por defenderem junto da troika um défice nunca inferior a cinco por cento em 2014. Pedro Passos Coelho, recordemo-lo, aceita os 4% acordados com a troika. A meio caminho entre os dois, naquele meio onde costuma estar a virtude, Paulo Portas defende 4,5%. Voltamos a constatar que nenhum dos três fala em renegociar os juros com a troika ou em anular os contratos das PPP. E aí, sim, na parte do défice que apenas pesa, nessas parcelas da nossa despesa que não provocariam sofrimento às pessoas nem teriam quaisquer efeitos recessivos caso fossem reduzidas é que deveriam cortar. É sagrada para os três.

Mas recuemos até Julho passado, às famosas negociações que decorreram logo a seguir à demissão de Vítor Gaspar e à demissão irrevogável de Portas, ao tal consenso que Cavaco Silva encomendou aos três meninos antes de se pirar para as Cagarras. Hoje podemos concluir que as "enormes diferenças" que inviabilizaram o acordo eram , afinal, de 0,5% entre António José Seguro e Paulo Portas e de 1% entre o primeiro e Pedro Passos Coelho. Quando falavam em "enormes diferenças", estavam a falar de 800 e de 1600 milhões de euros. A diferença entre ter ou não ter sensibilidade social e entre estar ou não estar obcecado com os mercados para esta malta é isto. Não passa por auditar nem por renegociar a dívida. Daí a necessidade que estes três brincalhões têm de irem produzindo estes números de circo. Pedro Passos Coelho acusou António José Seguro de "falta de rigor". Eles são mesmo diferentes, pá!

  • Vagamente relacionado: o desentendimento entre os  partidos do Governo, o PS  e a troika de credores internacionais sobre o valor do défice orçamental de 2014 poderá vir a ser ultrapassado graças à instituição, ao nível europeu, de um novo método de cálculo do esforço de ajustamento dos países do euro que leva em conta o conceito de “défice estrutural”, um conceito que terá que ser objectivado, uma vez que não vem nos livros. Invenções para manter uma austeridade que enriquece empobrecendo e para não se fazer o que deve ser feito, tal como renegociar as dívidas de países como Portugal e criar mecanismos que compensem estes estados dos prejuízos causados pela política cambial do euro sobre o seu desenvolvimento económico.