Como é sabido, Isaltino Morais
está a cumprir pena desde Abril no Estabelecimento prisional da Carregueira em
Sintra, depois de ter sido condenado a dois anos de prisão por crimes de
branqueamento de capitais e fraude fiscal. Como é sabido e como saberão melhor do
que em qualquer outro município do país os eleitores de Oeiras, aquele concelho
que, segundo consta, regista
a
maior percentagem de licenciados e doutorados do país. Pormenores irrelevantes.
Nem o facto de estar na prisão demoveu a constituição de um movimento chamado “Isaltino
Morais, Oeiras Mais à Frente” de escolher o criminoso mais famoso da região para
encabeçar a lista à Assembleia Municipal, nem os anos que passaram na escola serviram
do que quer que seja aos oeirenses para,
a
seis semanas das eleições, colocá-lo à frente das sondagens com 28,5% das intenções
de voto, um pouco à frente de Moita flores (PSD, 25,2%), outra excelente escolha.
A democracia quase nos pregou outra grande partida. A boa notícia do dia é a
decisão
do Tribunal Constitucional de inviabilizar a candidatura do ídolo dos oeirenses.
A má notícia é a mais que provável vitória de Paulo Vistas, número 2 durante o mandato
criminoso, com Moita Flores e o seu PSD a conquistarem o mesmo número de mandatos.
A difícil missão de inculcar valores de cidadania em populações de selvagens não
está entre as atribuições do Tribunal Constitucional. E não me refiro apenas aos selvagens que votam, também e sobretudo àqueles ainda mais selvagens que se limitam a ladrar mais ou menos furiosamente enquanto vêem a caravana a passar.