“Está na hora, está na hora de o
Governo ir embora.” Foi com esta frase que Passos Coelho e Nuno Crato foram
recebidos junto à escola de Bustos, cujos acessos foram bloqueados pelas
autoridades com recurso a barreiras metálicas. Atrás das barreiras, faixas e
cartazes empunhados por manifestantes e elementos da União de Sindicatos de
Aveiro, afecta à CGTP, e pais indignados por não poderem aceder à escola. Alguns
moradores da Rua da Nossa Senhora das Necessidades, morada da escola básica,
questionaram também o aparato policial, justificado com "questões de
segurança". Segundo apurou o
PÚBLICO, apenas o pessoal afecto à escola, incluindo professores, e ainda
jornalistas, responsáveis de entidades locais e candidatos às autárquicas foram
autorizados a entrar.
Os dois centros escolares que o
primeiro-ministro e o ministro da Educação foram inaugurar esta quarta-feira no
concelho de Oliveira do Bairro já
estão em pleno funcionamento há vários meses. O Centro Escolar de Bustos
(114 alunos), onde Passos Coelho e Nuno Crato chegaram pelas 10 horas, foi
inaugurado a 18 de Março deste ano, no dia em que esta freguesia comemorou 93
anos de existência. O Centro Escolar do Troviscal (77 alunos), onde os dois
governantes estarão pouco depois, abriu portas na manhã de 23 de Fevereiro de
2012, após as férias de Carnaval, há cerca de 18 meses. A presença dos
dois governantes na inauguração dos centros escolares e na visita à Escola
Básica e Secundária de Ferreira de Castro, Lações de Cima, Oliveira de Azeméis,
consta da agenda enviada aos órgãos de comunicação social pela assessoria de
imprensa do Ministério da Educação.
Usar dinheiros públicos, bens móveis ou bens imóveis do Estado para fazer campanha eleitoral é crime punido por
lei.
Vagamente relacionado:«Pouco há a fazer senão demonstrarmos a nossa indignada repulsa. O homem é um mentiroso compulsivo. Há dois anos ameaçou-nos com o empobrecimento, "única alternativa", dizia, à soberba que de nós se apossara para vivermos "acima das nossas possibilidades." Íamos, pois ficar mais pobres do que temos sido. Depois, como a Fénix que renasce das cinzas, gozaríamos de um cintilante futuro. O rol de miséria que se seguiu causou-nos infortúnios e desditas sem nome. Agora, o mesmo homem, possuído de amnésia contumaz, veio afirmar que nenhum político seria capaz de afirmar tal destino. A SIC, pressurosa e cheia de zelo informativo, foi aos arquivos e retransmitiu a primeira e a segunda mensagens. Acaso para avivar a lembrança do desmemoriado ou, simplesmente, para reforçar o que dele sabemos: transformou a mentira numa banalidade. (...)» – Baptista Bastos in "O mentiroso".
Ainda mais vagamente: O
Governo considera haver margem para que o objectivo do défice do próximo ano seja de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB), em vez dos actuais 4%. Essa meta,
disse o vice primeiro-ministro, Paulo Portas, foi defendida pelo executivo na
última avaliação da troika, o limite fixado acabou por ser mais apertado, mas o
Governo “continua a pensar que a meta que defendeu é a mais adequada". A Comissão Europeia não recebeu qualquer proposta formal de revisão das metas orçamentais.
E nadinha a ver com: O
dirigente da Federação Regional de Lisboa das Associações de Pais (Ferlap),
Isidoro Roque, denunciou nesta quarta-feira que continuam a chegar-lhe notícias
de crianças que ainda não foram aceites em qualquer escola. É suposto que quase 1 milhão e 350 mil alunos, de 6300
estabelecimentos de ensino, comecem as aulas até segunda-feira. Mas nem todos
terão professor em todas as disciplinas. Nem actividades de enriquecimento
curricular (AEC) a tempo e horas. E há escolas que dizem que vão receber os
seus alunos sem terem funcionários suficientes para os
acompanhar nos recreios.

