quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Campanha Autárquicas 2013: uma iniciativa paga com dinheiros públicos


 
“Está na hora, está na hora de o Governo ir embora.” Foi com esta frase que Passos Coelho e Nuno Crato foram recebidos junto à escola de Bustos, cujos acessos foram bloqueados pelas autoridades com recurso a barreiras metálicas. Atrás das barreiras, faixas e cartazes empunhados por manifestantes e elementos da União de Sindicatos de Aveiro, afecta à CGTP, e pais indignados por não poderem aceder à escola. Alguns moradores da Rua da Nossa Senhora das Necessidades, morada da escola básica, questionaram também o aparato policial, justificado com "questões de segurança". Segundo apurou o PÚBLICO, apenas o pessoal afecto à escola, incluindo professores, e ainda jornalistas, responsáveis de entidades locais e candidatos às autárquicas foram autorizados a entrar.

Os dois centros escolares que o primeiro-ministro e o ministro da Educação foram inaugurar esta quarta-feira no concelho de Oliveira do Bairro já estão em pleno funcionamento há vários meses. O Centro Escolar de Bustos (114 alunos), onde Passos Coelho e Nuno Crato chegaram pelas 10 horas, foi inaugurado a 18 de Março deste ano, no dia em que esta freguesia comemorou 93 anos de existência. O Centro Escolar do Troviscal (77 alunos), onde os dois governantes estarão pouco depois, abriu portas na manhã de 23 de Fevereiro de 2012, após as férias de Carnaval, há cerca de 18 meses. A presença dos dois governantes na inauguração dos centros escolares e na visita à Escola Básica e Secundária de Ferreira de Castro, Lações de Cima, Oliveira de Azeméis, consta da agenda enviada aos órgãos de comunicação social pela assessoria de imprensa do Ministério da Educação.

Usar dinheiros públicos, bens móveis ou bens imóveis do Estado  para fazer campanha eleitoral é crime punido por lei.

Vagamente relacionado:«Pouco há a fazer senão demonstrarmos a nossa indignada repulsa. O homem é um mentiroso compulsivo. Há dois anos ameaçou-nos com o empobrecimento, "única alternativa", dizia, à soberba que de nós se apossara para vivermos "acima das nossas possibilidades." Íamos, pois ficar mais pobres do que temos sido. Depois, como a Fénix que renasce das cinzas, gozaríamos de um cintilante futuro. O rol de miséria que se seguiu causou-nos infortúnios e desditas sem nome. Agora, o mesmo homem, possuído de amnésia contumaz, veio afirmar que nenhum político seria capaz de afirmar tal destino. A SIC, pressurosa e cheia de zelo informativo, foi aos arquivos e retransmitiu a primeira e a segunda mensagens. Acaso para avivar a lembrança do desmemoriado ou, simplesmente, para reforçar o que dele sabemos: transformou a mentira numa banalidade. (...)» – Baptista Bastos in "O mentiroso".

Mobilidade mesmo especial


Passos Coelho exonerou “a seu pedido do cargo de adjunto do Gabinete João Montenegro”, para depois designar o mesmo João Montenegro “como técnico-especialista para prestar as funções de assessoria técnica especializada”. João Montenegro  adjunto  auferia 3287 euros, João Montenegro assessor vai passar a ganhar 3653 euros. Mais 366 euros mensais sem sair da mesma cadeira não é requalificação. Como é sabido, o TC chumbou o diploma respectivo. Também não é nem promoção nem prémio, as promoções e os prémios de desempenho há anos que estão congelados em toda a Administração Pública. De forma que receber mais 366 euros sem sair da mesma cadeira só pode ser mobilidade especial. O Gabinete do senhor Primeiro-Ministro é um oásis na "situação que o país atravessa".
 
Vagamente relacionado: “Se não corrigirmos estruturalmente os desequilíbrios financeiros do estado, suscitar-se-ão riscos de novos aumentos de impostos, o que poderá comprometer seriamente a retoma de economia e mergulhá-la de novo em ambiente recessivo”, avisou o ministro-adjunto e do Desenvolvimento Regional, Poiares Maduro. Um dos passos é a reforma do Estado, que tem que se fazer “sob o signo da equidade”. Entre o sector público e o sector privado e entre gerações, fez questão de realçar Poiares Maduro. (hoje)
Ainda mais vagamente: A mensagem do Governo parecia clara: afaste-se quem autorizou swaps especulativos. E assim caíram, entre Abril e Junho, dois secretários de Estado e três gestores. Mas nos conselhos de administração que subscreveram contratos de risco tinham assento dezenas de outros responsáveis que hoje continuam a desempenhar papéis de destaque na esfera pública. Alguns mantiveram-se no cargo, outros são altos quadros de empresas e organismos do Estado e até há dois candidatos às autárquicas. Por onde andam os gestores dos swaps especulativos? A tão apregoada reforma do Estado definitivamente não está a passar por aqui.