sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Outra grande descoberta


Depois dos aumentos tarifários que o Governo decretou quando descobriu que os portugueses pagavam bilhetes tão baratos que nem sequer cobriam os prejuízos dos negócios SWAP com que a actual Ministradas Finanças e outros gestores de altíssimo gabarito andaram a enriquecer os amigos da banca internacional, a fuga de passageiros nas empresas públicas de transportes nunca mais parou de aumentar. No primeiro semestre, a venda de bilhetes caiu mais de 10%, o que significou uma perda líquida de 34,4 milhões de clientes. Isto depois da quebra de 10,2% - 45 milhões  de bilhetes - verificada em 2012. O Governo tem vindo a justificar o fenómeno com o aumento da fraude, isto é, 45 milhões mais 34,4 milhões, o Governo descobriu 79,4 milhões de viagens à borla. Grande descoberta, sem dúvida alguma. Bem maior do que descobrir que fizeram asneira da grossa outra vez.

Qual gás, qual carapuça


A decisão de Washington  sobre uma intervenção militar na Síria será tomada na defesa dos interesses americanos, diz a Casa Branca, depois de o Parlamento britânico rejeitar a proposta de acção militar de Cameron. Mais claro seria impossível. Sem o Reino Unido, com ou sem a França, com ou sem a Alemanha, se os americanos intervierem na Síria, será para defender os interesses americanos e não porque há gente a morrer ou por qualquer descoberta de armas químicas. A guerra é um negócio que rende milhões e Israel fica mesmo ali ao lado.

Gostei de ler: "O melhor povo do mundo"


«Conheço várias pessoas que exultaram com o aumento do horário na função pública e com o corte nos subsídios. Pessoas que trabalham no privado, até estão contra o Governo, mas acham os funcionários públicos uns privilegiados. Essas pessoas (e todos os outros trabalhadores do privado) já sofreram vários cortes no seu rendimento. Directamente via aumento de impostos e corte de subsídios e indirectamente por causa das consequências da crise - pessoas com salários em atraso ou que viram os seus salários cortados ou congelados pela empresa, numa falsa negociação com o patrão, sob ameaça de desemprego. E vão continuar a sofrer. O Governo começa a lançar a sua propaganda, preparando a opinião pública para mais cortes nos direitos e no rendimento dos trabalhadores. Ainda não está em vigor a última alteração que reduziu a compensação por despedimento para 12 dias e já vemos notícias que falam em pressões do FMI para que os salários do privado sejam ainda mais reduzidos. O FMI pede um corte no salário mínimo e propõe cortes nos salários (abaixo do salário mínimo) dos jovens até 24 anos ou em alternativa nos três primeiros anos de contrato. A exigência de redução de salários tem como fundamento um relatório com dados viciados, que oculta os cortes que em dois anos já foram feitos (27% dos trabalhadores no privado já sofreram cortes no seu vencimento). O plano do FMI é o que sempre foi, e se for necessário martelar números para confirmar a sua visão ideológica, fazem-no.

As pessoas que trabalham no privado e que neste momento estão satisfeitas com os cortes brutais que estão a ser feitos na função pública não perdem pela demora. Na Grécia, também tem sido assim. A cada corte no rendimento dos trabalhadores da função pública segue-se um corte no rendimento dos trabalhadores do privado. E assim sucessivamente. No final, todos ficarão a perder, é assim que funciona a desvalorização salarial que o programa de ajustamento pressupõe. Todos, menos os que estão no topo da pirâmide. Os mais ricos não estão a sofrer com a crise e têm visto o seu rendimento a crescer. A transferência de rendimentos do factor trabalho para o factor capital é essencial nesta verdadeira revolução neoliberal. Quem se rirá por último não serão nem os trabalhadores do privado nem a função pública. Será quem acumula fortuna com o trabalho dos outros. E a desunião entre trabalhadores é um bem valioso para esta gente. Quando Vítor Gaspar afirmou que os portugueses eram "o melhor povo do mundo", sabia o que estava a dizer.» – Sérgio Lavos, no Arrastão.